UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2020
Usuária de crack é encontrada desmaiada em via pública, sendo socorrida pelo SAMU que foi acionado por populares. Os socorristas do SAMU constatam útero gravídico com altura uterina de 30 cm, pressão arterial de 150/100 mmHg e frequência cardíaca fetal de 115 batimentos por minuto. Na maternidade, o obstetra constata sangramento escuro e volumoso, útero contraído e hipertônico e batimentos cardiofetais em 105 batimentos por minuto. A principal hipótese diagnóstica para esse caso é
Uso de crack + PA elevada + sangramento escuro + útero hipertônico + bradicardia fetal → Descolamento Prematuro de Placenta (DPP).
O quadro clínico de uma gestante usuária de crack com hipertensão, sangramento vaginal escuro e volumoso, útero contraído e hipertônico, e bradicardia fetal é altamente sugestivo de Descolamento Prematuro de Placenta (DPP). O uso de crack é um fator de risco importante para DPP, que é uma emergência obstétrica grave com alto risco materno-fetal.
O Descolamento Prematuro de Placenta (DPP) é uma emergência obstétrica grave, caracterizada pela separação da placenta da parede uterina antes do nascimento do feto, após a 20ª semana de gestação. É uma das principais causas de hemorragia no terceiro trimestre e está associada a alta morbimortalidade materno-fetal. O uso de crack é um fator de risco significativo, pois causa vasoconstrição e hipertensão, predispondo ao descolamento. O quadro clínico típico de DPP inclui sangramento vaginal (que pode ser externo ou oculto), dor abdominal súbita e intensa, útero hipertônico e doloroso à palpação, e sinais de sofrimento fetal, como bradicardia ou taquicardia fetal, ou ausência de batimentos. A hipertensão materna, como a apresentada na questão, agrava o risco e a gravidade do quadro. Para residentes, o reconhecimento rápido do DPP é crucial. A conduta envolve a estabilização da mãe, monitoramento fetal rigoroso e, na maioria dos casos, a interrupção imediata da gestação, geralmente por cesariana, para salvar a vida da mãe e do feto. A atenção à coagulopatia e à possibilidade de choque hipovolêmico é fundamental no manejo.
Fatores de risco incluem hipertensão arterial (crônica ou gestacional), pré-eclâmpsia, uso de drogas ilícitas (especialmente cocaína/crack), tabagismo, trauma abdominal, polidramnio, idade materna avançada e DPP prévio.
Os sinais clássicos são sangramento vaginal (geralmente escuro), dor abdominal intensa e súbita, útero hipertônico e doloroso à palpação, e sinais de sofrimento fetal (alterações na frequência cardíaca fetal).
A conduta inicial é estabilização materna (acesso venoso, hidratação, monitoramento de sinais vitais), monitoramento fetal contínuo, avaliação da coagulação e, na maioria dos casos, resolução rápida da gestação, geralmente por cesariana, devido ao risco de sofrimento fetal e hemorragia materna.
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