FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2020
MRP, 37 anos, 4G3P0A, IG = 33s 5d, hipertensa crônica em uso de Metildopa 1g/dia e tabagista de 5 cigarros/dia. Ultrassom obstétrico sem alterações, realizado há 1 semana. Dá entrada no pronto-socorro com queixa de dor abdominal súbita acompanhada de sangramento vaginal em moderada quantidade, além de tontura. Ao exame físico de entrada: PA = 100 x 70 mmHg, FC = 110bpm, hipertonia uterina e BCF (batimentos cardíacos fetais) = 90bpm. Exame especular com sangramento ativo pelo colo do útero e toque vaginal mostrando dilatação cervical de 3cm. Qual o diagnóstico mais provável e a melhor conduta, respectivamente?
DPP: dor súbita, sangramento, hipertonia uterina, sofrimento fetal → estabilizar mãe, cesárea de emergência.
O quadro clínico de dor abdominal súbita, sangramento vaginal, hipertonia uterina, hipotensão materna e bradicardia fetal é altamente sugestivo de Descolamento Prematuro de Placenta (DPP). Dada a instabilidade hemodinâmica materna e o sofrimento fetal (BCF 90 bpm), a conduta é estabilização materna e cesárea de emergência. A amniotomia pode ser considerada para aliviar a pressão intrauterina e acelerar o parto, mas a cesárea é prioritária.
O Descolamento Prematuro de Placenta (DPP) é uma emergência obstétrica grave, caracterizada pela separação da placenta da parede uterina antes do nascimento do feto, após a 20ª semana de gestação. É uma das principais causas de sangramento no terceiro trimestre e está associada a alta morbimortalidade materna e fetal. O reconhecimento rápido e a intervenção adequada são cruciais para o prognóstico. O quadro clínico típico de DPP inclui dor abdominal súbita e intensa, sangramento vaginal (que pode ser discreto ou abundante, e a cor escura é característica), hipertonia uterina e sofrimento fetal, manifestado por alterações na frequência cardíaca fetal (bradicardia ou taquicardia persistente, perda de variabilidade). Fatores de risco como hipertensão crônica e tabagismo, presentes na paciente, aumentam a suspeita. A conduta no DPP depende da gravidade do quadro materno e fetal. Em casos de instabilidade hemodinâmica materna ou sofrimento fetal, a interrupção imediata da gestação por cesárea de emergência é imperativa. A amniotomia pode ser realizada para reduzir a pressão intrauterina e, em alguns casos, acelerar o parto vaginal, mas não substitui a cesárea quando há sofrimento fetal agudo. A estabilização materna é prioritária.
Os sinais clássicos incluem dor abdominal súbita e intensa, sangramento vaginal (que pode ser escuro), hipertonia uterina (útero "em tábua"), sofrimento fetal (alterações na BCF) e, em casos graves, choque hipovolêmico materno.
Os fatores de risco incluem hipertensão arterial (crônica ou gestacional), pré-eclâmpsia, tabagismo, uso de cocaína, trauma abdominal, polidrâmnio com descompressão rápida, idade materna avançada e história prévia de DPP.
A conduta inicial é a estabilização hemodinâmica materna (acesso venoso, fluidos), monitoramento fetal contínuo e, se houver sofrimento fetal ou instabilidade materna, a interrupção imediata da gestação por cesárea de emergência é a via preferencial.
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