Descolamento Prematuro de Placenta: Amniotomia e CIVD

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023

Enunciado

Uma paciente com 27 anos, primigesta, com 37 semanas, foi admitida no pronto atendimento com quadro de dor abdominal súbita, sangramento vaginal vermelho vivo de pequena/moderada quantidade. Foi realizado o diagnóstico de descolamento prematuro de placenta e um dos médicos da equipe propôs a realização de amniotomia durante o toque vaginal, pois, ao exame físico, constatou-se que o colo é pérvio para 4 cm e é possível a palpação das membranas com facilidade, e que o bebê está em nível + 1 de plano de apresentação.Com relação à proposta da amniotomia, o médico estava

Alternativas

  1. A) incorreto, pois a amniotomia se relaciona a um aumento de risco de embolia amniótica.
  2. B) correto, pois a amniotomia se relaciona a um menor tempo de dequitação da placenta após o parto.
  3. C) correto, pois a amniotomia se relaciona a redução do risco de coagulação intravascular disseminada.
  4. D) incorreto, pois a amniotomia se relaciona a um risco aumentado de piora da zona de descolamento de placenta.

Pérola Clínica

DPP com colo pérvio e membranas acessíveis → amniotomia reduz risco de CIVD.

Resumo-Chave

Em casos de descolamento prematuro de placenta (DPP) com colo favorável, a amniotomia é uma conduta correta. Ela auxilia na compressão do local de descolamento pela apresentação fetal e, mais importante, reduz a passagem de tromboplastina para a circulação materna, diminuindo o risco de coagulação intravascular disseminada (CIVD), uma complicação grave da DPP.

Contexto Educacional

O descolamento prematuro de placenta (DPP) é uma emergência obstétrica grave, caracterizada pela separação da placenta da parede uterina antes do nascimento do feto, após a 20ª semana de gestação. Sua incidência varia de 0,5% a 1% das gestações, sendo uma das principais causas de mortalidade materna e perinatal. Fatores de risco incluem hipertensão arterial, pré-eclâmpsia, tabagismo, uso de cocaína, trauma abdominal e multiparidade. A fisiopatologia envolve a ruptura de vasos sanguíneos na decídua basal, levando à formação de um hematoma retroplacentário que causa a separação progressiva da placenta. O diagnóstico é clínico, baseado na tríade de dor abdominal súbita, sangramento vaginal e hipertonia uterina, muitas vezes acompanhada de sofrimento fetal. A ultrassonografia pode auxiliar, mas um exame normal não exclui o diagnóstico. O manejo do DPP depende da idade gestacional, da gravidade do descolamento e das condições maternas e fetais. Em casos de feto vivo e viável, a interrupção da gestação é geralmente indicada. A amniotomia, quando o colo está favorável, é uma conduta importante, pois a rotura das membranas e a consequente diminuição do volume uterino podem ajudar a comprimir a área de descolamento e, crucialmente, reduzir a absorção de tromboplastina para a circulação materna, diminuindo significativamente o risco de coagulação intravascular disseminada (CIVD), uma complicação hemorrágica potencialmente fatal.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas do descolamento prematuro de placenta?

Os principais sinais incluem dor abdominal súbita e intensa, sangramento vaginal vermelho vivo ou escuro, hipertonia uterina e sofrimento fetal. A intensidade dos sintomas pode variar conforme a extensão do descolamento.

Por que a amniotomia é indicada em alguns casos de DPP?

A amniotomia é indicada para reduzir o risco de coagulação intravascular disseminada (CIVD) ao diminuir a passagem de tromboplastina placentária para a circulação materna. Além disso, permite que a apresentação fetal comprima o local do descolamento, auxiliando na hemostasia.

Quais são as principais complicações maternas do descolamento prematuro de placenta?

As principais complicações maternas incluem hemorragia grave, choque hipovolêmico, coagulação intravascular disseminada (CIVD), insuficiência renal aguda e, em casos extremos, histerectomia ou óbito materno.

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