Descolamento Prematuro de Placenta: Diagnóstico e Sinais

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2023

Enunciado

Bruna, primeira gestação, 39 anos de idade, hipertensa, encontra-se em trabalho de parto há 5 horas, refere sensação de desmaio repentino e forte dor abdominal. Exame físico: PA: 140x100 mmHg. Pulso: 110 bpm, DU: 5/10 minutos com contrações com duração de 1 minuto, foco fetal: 100 bpm, toque: 2 cm de dilatação, centralizado, sangramento vaginal moderado com coágulos. O diagnóstico mais provável é:

Alternativas

  1. A) Rotura uterina de primeiro grau.
  2. B) Descolamento prematuro de placenta.
  3. C) Franco trabalho de parto.
  4. D) Eclâmpsia intraparto.
  5. E) Sangramento devido à cervicodilatação.

Pérola Clínica

Dor abdominal súbita + sangramento vaginal + sofrimento fetal em gestante hipertensa = DPP até prova em contrário.

Resumo-Chave

A paciente apresenta fatores de risco (hipertensão, idade avançada), dor abdominal súbita e intensa, sangramento vaginal com coágulos, taquicardia materna e bradicardia fetal (sofrimento fetal). Este quadro é altamente sugestivo de descolamento prematuro de placenta, uma emergência obstétrica.

Contexto Educacional

O descolamento prematuro de placenta (DPP) é uma das emergências obstétricas mais graves, caracterizada pela separação total ou parcial da placenta implantada normalmente, antes do nascimento do feto. Ocorre em cerca de 0,5% a 1% das gestações e é uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal. A identificação rápida e o manejo adequado são cruciais para o desfecho materno-fetal. Os fatores de risco para DPP incluem hipertensão arterial (crônica ou induzida pela gravidez), pré-eclâmpsia, idade materna avançada, multiparidade, tabagismo, uso de drogas ilícitas (especialmente cocaína), trauma abdominal e história prévia de DPP. Clinicamente, o DPP manifesta-se por dor abdominal súbita e intensa, sangramento vaginal (geralmente escuro e com coágulos), hipertonia uterina e sinais de sofrimento fetal, como bradicardia ou desacelerações. A sensação de desmaio (lipotimia) sugere hipovolemia. O diagnóstico é eminentemente clínico, embora a ultrassonografia possa auxiliar na visualização do hematoma retroplacentário, mas sua ausência não exclui o DPP. A conduta é estabilizar a mãe (hidratação, monitoramento hemodinâmico), monitorar o feto e, na maioria dos casos, realizar o parto de emergência, preferencialmente por cesariana, devido ao sofrimento fetal e ao risco de coagulopatia. A rotura uterina e a eclâmpsia intraparto são diagnósticos diferenciais importantes, mas o quadro de dor súbita, sangramento e sofrimento fetal aponta para DPP.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para o descolamento prematuro de placenta?

Os principais fatores de risco incluem hipertensão arterial (crônica ou gestacional), pré-eclâmpsia, tabagismo, uso de cocaína, trauma abdominal, polidrâmnio com descompressão rápida, multiparidade e história prévia de DPP. A idade materna avançada também é um fator.

Como diferenciar o descolamento prematuro de placenta de outras causas de sangramento vaginal no terceiro trimestre?

O DPP tipicamente apresenta dor abdominal súbita e intensa, sangramento vaginal escuro com coágulos, hipertonia uterina e sinais de sofrimento fetal. A placenta prévia causa sangramento indolor e vermelho vivo, sem hipertonia. A rotura uterina cursa com dor súbita, perda da atividade uterina e alteração do contorno abdominal, com sofrimento fetal grave.

Quais são as complicações maternas e fetais do descolamento prematuro de placenta?

Para a mãe, as complicações incluem hemorragia maciça, choque hipovolêmico, coagulopatia de consumo (CIVD), insuficiência renal aguda e, em casos graves, histerectomia e morte. Para o feto, as complicações são sofrimento fetal agudo, hipóxia, prematuridade e óbito fetal, sendo uma das principais causas de mortalidade perinatal.

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