Descolamento Prematuro de Placenta: Diagnóstico e Manejo

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2023

Enunciado

Paciente com 37 semanas de gestação procurou a Emergência Obstétrica por sangramento vaginal. Informou realizar pré-natal (risco habitual), sem intercorrências. Ao exame, apresentava pressão arterial de 140/90 mmHg, frequência cardíaca de 110 bpm, altura uterina de 32 cm, 5 contrações dolorosas em 10 minutos, útero hipertônico e batimentos cardiofetais de 100 bpm. O exame especular revelou sangramento pelo orifício cervical externo, sem dilatação. Qual o diagnóstico mais provável e qual a conduta a ser seguida?

Alternativas

  1. A) Placenta prévia – ultrassonografia para confirmação do diagnóstico
  2. B) Descolamento prematuro de placenta – cesariana de urgência
  3. C) Ruptura uterina – cesariana de urgência
  4. D) Vasa prévia – ultrassonografia para definir a origem fetal do sangramento

Pérola Clínica

Sangramento vaginal + dor abdominal + útero hipertônico + sofrimento fetal (BCF ↓) → DPP = Cesariana de urgência.

Resumo-Chave

O quadro clínico (sangramento vaginal, dor abdominal intensa, útero hipertônico, contrações frequentes e bradicardia fetal) é altamente sugestivo de Descolamento Prematuro de Placenta (DPP). A bradicardia fetal indica sofrimento fetal agudo, tornando a cesariana de urgência a conduta imediata para salvar a vida do feto e da mãe.

Contexto Educacional

O descolamento prematuro de placenta (DPP) é uma emergência obstétrica grave caracterizada pela separação da placenta da parede uterina antes do nascimento do feto, após a 20ª semana de gestação. Sua incidência varia, mas é uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal. Fatores de risco incluem hipertensão arterial (como a PA elevada da paciente), traumatismo abdominal, tabagismo, uso de cocaína e DPP prévio. O quadro clínico típico de DPP inclui sangramento vaginal (que pode ser oculto), dor abdominal súbita e intensa, hipertonia uterina (útero 'em tábua'), contrações uterinas de alta frequência e sofrimento fetal agudo, manifestado por alterações na frequência cardíaca fetal (bradicardia, como 100 bpm no caso). O exame especular pode revelar sangramento, mas o toque vaginal deve ser evitado até que se exclua placenta prévia. Diante da suspeita de DPP com sinais de sofrimento fetal, a conduta é a interrupção imediata da gestação, preferencialmente por cesariana de urgência, para tentar salvar o feto e prevenir complicações maternas graves como coagulopatia de consumo (CID) e choque hipovolêmico. A ultrassonografia pode auxiliar no diagnóstico, mas a decisão clínica é prioritária em casos de urgência.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos do descolamento prematuro de placenta?

Os sinais clássicos incluem sangramento vaginal (que pode ser oculto), dor abdominal súbita e intensa, hipertonia uterina (útero 'em tábua'), contrações uterinas de alta frequência e sinais de sofrimento fetal, como bradicardia fetal.

Qual a conduta inicial em caso de suspeita de descolamento prematuro de placenta?

Diante da suspeita de DPP, especialmente com sinais de sofrimento fetal, a conduta é a interrupção imediata da gestação, preferencialmente por cesariana de urgência, após estabilização materna e monitoramento fetal contínuo.

Como diferenciar o descolamento prematuro de placenta da placenta prévia?

A DPP geralmente apresenta dor abdominal intensa, útero hipertônico e sofrimento fetal, enquanto a placenta prévia cursa com sangramento indolor, útero normotônico e, geralmente, sem sofrimento fetal agudo. O toque vaginal é contraindicado na placenta prévia até exclusão por ultrassonografia.

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