UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024
Gestante na 33ª semana, com diagnóstico de pré-eclâmpsia, é atendida na maternidade com quadro de sangramento vaginal e de dor abdominal intensa iniciado há 30 minutos. Ao exame, verifica-se PA = 170 x 120mmHg, tônus uterino aumentado e BCF = 120bpm. Ao toque vaginal, identifica-se colo centralizado, 90% apagado, 3cm dilatado, cefálico, com sangramento vaginal intenso. Diante da principal hipótese diagnóstica para o quadro clínico apresentado, uma das complicações esperadas é:
Pré-eclâmpsia + sangramento + dor abdominal + tônus uterino ↑ + BCF ↓ = DPP. Complicação comum = hemorragia puerperal.
O quadro clínico (pré-eclâmpsia, sangramento, dor abdominal intensa, tônus uterino aumentado, BCF alterado) é altamente sugestivo de Descolamento Prematuro de Placenta (DPP). A hemorragia puerperal é uma complicação grave e frequente do DPP devido à coagulopatia e atonia uterina.
O descolamento prematuro de placenta (DPP) é uma emergência obstétrica grave, caracterizada pela separação da placenta da parede uterina antes do nascimento do feto, após 20 semanas de gestação. É uma das principais causas de sangramento no terceiro trimestre e está associado a alta morbimortalidade materna e perinatal. Fatores de risco incluem hipertensão arterial crônica, pré-eclâmpsia, trauma abdominal, tabagismo, uso de cocaína e histórico prévio de DPP. O quadro clínico clássico envolve sangramento vaginal (que pode ser oculto), dor abdominal súbita e intensa, hipertonia uterina ("útero de Couvelaire"), e alterações da vitalidade fetal, como bradicardia ou taquicardia. O diagnóstico é clínico, embora a ultrassonografia possa auxiliar, mas não exclui o diagnóstico. A conduta é a interrupção imediata da gestação, geralmente por cesariana, dependendo da condição materna e fetal. Uma das complicações mais temidas e frequentes do DPP é a hemorragia puerperal. Isso ocorre devido à coagulopatia de consumo (coagulação intravascular disseminada - CID) que pode se desenvolver, além da atonia uterina pós-parto, resultante da infiltração de sangue no miométrio (útero de Couvelaire) que impede a contração eficaz. O manejo exige reposição volêmica agressiva, correção da coagulopatia e, se necessário, histerectomia.
Os sinais incluem sangramento vaginal, dor abdominal súbita e intensa, hipertonia uterina, sofrimento fetal (alterações do BCF) e, em casos graves, choque hipovolêmico materno.
A pré-eclâmpsia está associada a disfunção endotelial e alterações vasculares placentárias, que podem predispor ao descolamento da placenta da parede uterina.
O DPP pode levar a coagulopatia de consumo (CID) e atonia uterina pós-parto, aumentando significativamente o risco de hemorragia puerperal, que é uma das principais causas de morbimortalidade materna.
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