PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2022
Gestante de 22 anos, que mora na rua, chega para consulta com idade gestacional desconhecida, não fez pré-natal e relata dor em baixo ventre. Ao exame PA: 150/100 mmHg, FC: 100 bpm, AU: 33 cm, BCF: 160/min. Útero com tônus aumentado, sem relaxamento. Toque: colo pérvio para 8 cm, bolsa tensa.Assinale a alternativa CORRETA sobre o Provável diagnóstico.
Dor abdominal súbita + Hipertonia uterina + Sofrimento fetal = Descolamento Prematuro de Placenta (DPP).
O DPP é uma emergência obstétrica grave, frequentemente associada a síndromes hipertensivas, caracterizada por dor intensa, útero lenhoso e comprometimento da vitalidade fetal.
O Descolamento Prematuro de Placenta (DPP) define-se como a separação da placenta da parede uterina antes do nascimento do feto, em gestações com mais de 20 semanas. A fisiopatologia envolve a ruptura de vasos maternos na decídua basal, levando à formação de um hematoma que separa a placenta. Este processo interrompe a troca gasosa fetal e gera hipertonia uterina devido à infiltração sanguínea no miométrio (que em casos graves evolui para o Útero de Couvelaire). O quadro clínico da paciente — dor abdominal, hipertensão arterial, hipertonia uterina (tônus aumentado sem relaxamento) e alteração da frequência cardíaca fetal (160 bpm indica taquicardia/sofrimento inicial) — é patognomônico de DPP. A vulnerabilidade social (moradora de rua, sem pré-natal) aumenta o risco de complicações não diagnosticadas como a pré-eclâmpsia, culminando nesta emergência.
O principal fator de risco é a hipertensão (pré-eclâmpsia ou hipertensão crônica). Outros fatores incluem trauma abdominal, tabagismo, uso de cocaína, idade materna avançada, multiparidade e rotura prematura de membranas. No caso apresentado, a paciente possui PA 150/100 mmHg, o que é um forte preditor para o descolamento.
O diagnóstico é eminentemente clínico. Baseia-se na presença de dor abdominal súbita, sangramento vaginal (presente em 80% dos casos, podendo ser oculto em 20%), hipertonia uterina (útero lenhoso) e sinais de sofrimento fetal (taquicardia ou bradicardia fetal). A ultrassonografia tem baixa sensibilidade para o diagnóstico agudo e não deve atrasar a conduta em casos de suspeita clínica clara.
A conduta é a estabilização hemodinâmica materna e a interrupção imediata da gestação pela via mais rápida, que na maioria das vezes é a cesariana de emergência. Se o parto vaginal for iminente (colo totalmente dilatado), pode-se tentar o parto vaginal, mas a prioridade é o esvaziamento uterino para cessar o processo de descolamento e prevenir complicações como a coagulopatia de consumo.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo