HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2023
Gestante, 16 anos, em situação de rua, chega em consulta queixando-se de dor abdominal súbita e sangramento pela vagina de média intensidade há 2 horas. A idade gestacional é desconhecida. Ao exame PA: 150/100 mmHg, FC: 110 bpm, altura uterina: 30,5 cm, BCF: 130 bpm. Útero com tônus aumentado, sem relaxamento. Toque: colo pérvio para 6 cm, bolsa tensa. Relata tabagismo e uso de drogas ilícitas. A conduta para essa paciente é:
DPP com colo pérvio e bolsa tensa → parto vaginal se condições maternas e fetais permitirem.
O quadro clínico (dor súbita, sangramento, útero hipertônico, pré-eclâmpsia, fatores de risco como tabagismo/drogas) é altamente sugestivo de Descolamento Prematuro de Placenta (DPP). Com colo pérvio e bolsa tensa, o parto vaginal é a via preferencial se não houver instabilidade materna ou sofrimento fetal grave, pois a cesariana em útero hipertônico aumenta o risco de hemorragia.
O Descolamento Prematuro de Placenta (DPP) é uma emergência obstétrica grave, caracterizada pela separação da placenta da parede uterina antes do nascimento do feto. O quadro clínico clássico envolve dor abdominal súbita e intensa, sangramento vaginal (que pode ser oculto), hipertonia uterina e, em casos graves, sofrimento fetal e choque hipovolêmico materno. Fatores de risco como hipertensão (presente na paciente com PA 150/100 mmHg), tabagismo e uso de drogas ilícitas aumentam significativamente a chance de DPP. A conduta no DPP depende da gravidade do descolamento, da condição materna e fetal, e da idade gestacional. Em casos de DPP grave com instabilidade materna ou sofrimento fetal agudo, a cesariana de emergência é a via de parto indicada. No entanto, quando o trabalho de parto está avançado (colo pérvio para 6 cm) e a bolsa está tensa, o parto vaginal pode ser a via mais rápida e segura, especialmente se a paciente for multípara, pois a cesariana em um útero hipertônico pode aumentar o risco de hemorragia. É crucial monitorar atentamente o tônus uterino no pós-parto devido ao risco aumentado de atonia uterina e hemorragia pós-parto em pacientes com DPP. A decisão pela via de parto deve ser individualizada, considerando todos os fatores clínicos e a disponibilidade de recursos, sempre visando a segurança materno-fetal. Para residentes, o reconhecimento precoce do DPP e a tomada de decisão rápida e assertiva são competências essenciais.
Os principais sinais incluem dor abdominal súbita e intensa, sangramento vaginal escuro, útero hipertônico e doloroso à palpação, e alterações nos batimentos cardíacos fetais, podendo evoluir para sofrimento fetal.
O parto vaginal é indicado quando o colo está pérvio, o trabalho de parto é rápido e não há sinais de sofrimento fetal grave ou instabilidade hemodinâmica materna, especialmente se o feto for a termo ou próximo ao termo.
Fatores de risco incluem hipertensão arterial (pré-eclâmpsia), tabagismo, uso de drogas ilícitas (especialmente cocaína), trauma abdominal, idade materna avançada, multiparidade e história prévia de DPP.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo