UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2024
Paciente de 40 anos, com 32 semanas de gestação (história de 3 partos por via vaginal), chegou à Emergência Obstétrica queixando-se de sangramento iniciado subitamente. Ao exame físico, os batimentos cardiofetais eram de 160 bpm, e a dinâmica uterina estava ausente. O exame especular comprovou presença de sangue escuro em pequena quantidade (material coletado na vagina) e colo sem evidência de dilatação. A ultrassonografia identificou placenta inserida no segmento uterino inferior, com a borda distando 1,8 cm do orifício cervical interno, e cordão umbilical de inserção central na placenta. Enquanto era realizada cardiotocografia (com padrão cardíaco fetal não reativo), a paciente iniciou com dor abdominal, hipertonia uterina e sangramento vaginal intenso, além de taquicardia, taquipneia e sudorese. O toque vaginal mostrava 2,0 cm de dilatação. Quais os diagnósticos mais prováveis e qual a conduta mais adequada no momento?
Sangramento escuro + dor + hipertonia uterina + sofrimento fetal = Descolamento Prematuro de Placenta (DPP). Conduta: Cesariana de emergência.
O quadro clínico de sangramento vaginal escuro, dor abdominal súbita, hipertonia uterina e sinais de sofrimento fetal agudo (padrão cardíaco fetal não reativo) é altamente sugestivo de descolamento prematuro de placenta (DPP). A ultrassonografia pode mostrar placenta prévia, mas a clínica de DPP sobrepõe-se. A conduta imediata é a cesariana de emergência, e o teste do coágulo é útil para avaliar coagulopatia associada ao DPP.
O descolamento prematuro de placenta (DPP) é uma das mais graves emergências obstétricas, caracterizada pela separação da placenta da parede uterina antes do nascimento do feto. Sua ocorrência é imprevisível e pode levar a consequências devastadoras para a mãe e o feto, incluindo hemorragia maciça, choque hipovolêmico, coagulopatia de consumo (CID) e óbito fetal. O quadro clínico típico de DPP envolve sangramento vaginal de coloração escura, dor abdominal súbita e intensa, e hipertonia uterina, que se manifesta como um útero 'em tábua', rígido à palpação. Além disso, é comum observar sinais de sofrimento fetal agudo, como alterações na cardiotocografia (padrão não reativo, bradicardia). Embora a ultrassonografia possa ser útil, o diagnóstico é eminentemente clínico. A presença de placenta prévia na ultrassonografia não exclui o DPP, especialmente se a clínica for sugestiva. A conduta diante de um DPP é a interrupção imediata da gestação, preferencialmente por cesariana de emergência, para salvar a vida do feto e da mãe. A estabilização hemodinâmica materna é prioritária, com acesso venoso calibroso, reposição volêmica e transfusão de hemoderivados, se necessário. O teste do coágulo é uma ferramenta simples e rápida para avaliar a presença de coagulopatia, uma complicação frequente do DPP. A agilidade no diagnóstico e na intervenção é crucial para melhorar os desfechos maternos e perinatais.
Os sinais clássicos incluem sangramento vaginal de coloração escura, dor abdominal súbita e intensa, hipertonia uterina (útero 'em tábua'), e sinais de sofrimento fetal agudo, como alterações nos batimentos cardiofetais.
A placenta prévia geralmente se manifesta com sangramento vaginal vermelho vivo, indolor e sem hipertonia uterina. O DPP, por outro lado, apresenta sangramento escuro, dor intensa, hipertonia uterina e sofrimento fetal, sendo uma emergência mais grave.
A suspeita de DPP é uma emergência obstétrica que exige estabilização materna (acesso venoso, hidratação, monitoramento) e interrupção imediata da gestação, geralmente por cesariana de emergência, devido ao risco de hipóxia fetal e coagulopatia materna.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo