HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2023
Mulher de 32 anos de idade, primigesta, com idade gestacional de 38 semanas e 5 dias, comparece à emergência obstétrica com quadro de dor abdominal e sangramento vaginal. Ao exame físico, apresenta fácies de dor, taquipneia e pressão arterial de 150x110mmHg. Está afebril no momento. O abdome está muito doloroso, com altura uterina de 35cm, tônus uterino aumentado e batimento cardíaco fetal de 110bpm. O exame especular evidenciou sangue escuro coletado em moderada quantidade. Ao toque vaginal, o colo uterino está grosso, posterior e impérvio. Qual é o diagnóstico e qual conduta deve ser adotada no momento?
DPP → Dor abdominal intensa, sangramento escuro, hipertonia uterina, sofrimento fetal (bradicardia) → Cesariana de urgência.
O quadro clínico de dor abdominal intensa, sangramento vaginal escuro, hipertonia uterina e sofrimento fetal (bradicardia) em uma gestante a termo é altamente sugestivo de Descolamento Prematuro de Placenta (DPP). Esta é uma emergência obstétrica que exige interrupção imediata da gestação por cesariana para salvar a vida da mãe e do feto.
O Descolamento Prematuro de Placenta (DPP) é uma das emergências obstétricas mais graves, caracterizada pela separação total ou parcial da placenta normalmente inserida do útero antes do nascimento do feto, após a 20ª semana de gestação. Sua incidência varia de 0,5% a 1,5% das gestações, mas as consequências podem ser devastadoras para a mãe e o feto. A fisiopatologia do DPP envolve a formação de um hematoma retroplacentário que leva à separação da placenta. Fatores de risco incluem hipertensão arterial (como pré-eclâmpsia, presente na paciente com PA 150x110mmHg), trauma abdominal, tabagismo, uso de cocaína, multiparidade e DPP prévio. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na tríade clássica de dor abdominal súbita e intensa, sangramento vaginal (geralmente escuro e em pequena quantidade, pois pode ficar retido) e hipertonia uterina ("útero em tábua"). Sinais de sofrimento fetal, como bradicardia ou ausência de batimentos cardíacos fetais, são comuns e indicam gravidade. Diante de um quadro clínico sugestivo de DPP, a conduta é uma emergência obstétrica que exige a interrupção imediata da gestação. A via de parto preferencial é a cesariana de urgência, pois permite a remoção rápida do feto e da placenta, controlando a hemorragia e prevenindo complicações maternas como choque hipovolêmico e coagulopatia de consumo (CID). A estabilização hemodinâmica materna com fluidos e hemoderivados é crucial antes ou concomitantemente à cirurgia.
Os sinais clássicos incluem dor abdominal súbita e intensa, sangramento vaginal de cor escura, hipertonia uterina (útero "em tábua"), e sinais de sofrimento fetal, como bradicardia ou ausência de batimentos cardíacos fetais.
O DPP é uma emergência devido ao risco de hemorragia materna grave, coagulopatia de consumo (CID), choque hipovolêmico e, para o feto, hipóxia severa e morte fetal, exigindo intervenção imediata para salvar ambas as vidas.
A conduta imediata é a interrupção da gestação por cesariana de urgência, após estabilização hemodinâmica da mãe, se possível, para remover a fonte do sangramento e resgatar o feto.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo