PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2021
Gestante de 37 semanas, tabagista, usuária habitual de álcool e cocaína sofreu um acidente automobilístico com trauma de face, tórax e abdome. É atendida pelo SAMU. Após avaliação inicial no setor de urgência, onde se procedeu a rotina de admissão nesses casos, e se constatou níveis normais de hematimetria, ela foi encaminhada para a maternidade. Ao exame, a paciente apresenta-se com Glasgow 12, sinais de hematomas no tórax e abdome e pequenos cortes na face. Ela tem muita dor no abdome e refere discreto sangramento vaginal. No exame obstétrico há dificuldade em se perceber as partes fetais, pela dor e pelos hematomas abdominais. Sua pressão arterial está preservada. O exame obstétrico revela altura uterina de 32cm, batimentos cardíacos fetais presentes com 144 batimentos por minuto, e há movimentação fetal ativa. Assinale abaixo a afirmação CORRETA sobre esta situação clínica:
Tabagismo, uso de cocaína e trauma agudo são fatores de risco importantes para DPP em gestantes.
O descolamento prematuro de placenta (DPP) é uma emergência obstétrica grave, e vários fatores podem aumentar seu risco. O tabagismo e o uso de cocaína são conhecidos por causar vasoconstrição e alterações vasculares placentárias, predispondo ao DPP. O trauma abdominal direto, como em um acidente automobilístico, também pode levar ao descolamento devido à força de cisalhamento.
O descolamento prematuro de placenta (DPP) é uma das emergências obstétricas mais graves, caracterizada pela separação da placenta da parede uterina antes do nascimento do feto. Essa condição pode levar a hemorragia materna grave, sofrimento fetal agudo e óbito materno-fetal, sendo uma das principais causas de mortalidade perinatal e morbidade materna. A identificação precoce dos fatores de risco e dos sinais clínicos é fundamental para um manejo adequado. Diversos fatores de risco estão associados ao DPP. Condições como hipertensão arterial, pré-eclâmpsia e diabetes são bem estabelecidas. No entanto, o uso de substâncias como tabaco e cocaína também desempenha um papel crucial, pois causam vasoconstrição e isquemia uteroplacentária, comprometendo a integridade vascular. O trauma abdominal, seja por acidentes ou violência, é outro fator de risco significativo, pois a força de cisalhamento pode provocar a separação placentária. A dor abdominal intensa, sangramento vaginal e alterações na contratilidade uterina são sinais de alerta importantes. O diagnóstico de DPP é clínico, baseado nos sinais e sintomas, embora exames complementares como ultrassonografia possam auxiliar. A ausência de hipotensão ou alterações na hematimetria não exclui o diagnóstico, pois a gestante pode compensar grandes perdas sanguíneas inicialmente, e o sangramento pode ser retroplacentário e oculto. O manejo é uma emergência e frequentemente envolve a interrupção da gestação, geralmente por cesariana, para salvar a vida da mãe e do feto. Residentes devem estar aptos a reconhecer rapidamente essa condição e iniciar as medidas de suporte e tratamento.
Os principais fatores de risco incluem hipertensão arterial crônica ou gestacional, pré-eclâmpsia, tabagismo, uso de cocaína, trauma abdominal, polidramnio, gestação múltipla, idade materna avançada e histórico prévio de DPP.
O trauma abdominal, como em acidentes automobilísticos, pode causar forças de cisalhamento que levam ao descolamento da placenta da parede uterina. Mesmo traumas leves podem ser significativos devido à fragilidade vascular e à distensão uterina.
Tanto a cocaína quanto o tabagismo causam vasoconstrição e isquemia placentária, além de alterações na microvasculatura, o que pode levar à ruptura dos vasos uteroplacentários e, consequentemente, ao descolamento prematuro da placenta.
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