Descolamento Prematuro de Placenta: Diagnóstico e Manejo

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2021

Enunciado

Secundigesta de 22 anos, com 36 semanas e 2 dias, procura a maternidade com desconforto abdominal e um pequeno sangramento vaginal há 1 hora. Exame físico: BEG, eupneica, hidratada, FC 110 bpm, PA 150 x 100 mmHg, tônus uterino aumentado, BCF 170 bpm. Presença de discreta quantidade de sangue coletado em fundo de saco vaginal, colo grosso e impérvio. O diagnóstico e a conduta são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) rotura de seio marginal; ultrassom e observação de sangramento.
  2. B) trabalho de parto prematuro; inibição do trabalho de parto.
  3. C) placenta prévia; ultrassom e observação de sangramento.
  4. D) descolamento prematuro de placenta; cesárea de emergência.

Pérola Clínica

DPP: sangramento vaginal + dor abdominal + hipertonia uterina + sofrimento fetal (BCF ↑) + hipertensão → cesárea de emergência.

Resumo-Chave

O quadro de sangramento vaginal, desconforto abdominal, hipertonia uterina, taquicardia fetal (BCF 170 bpm) e hipertensão materna em uma gestante de 36 semanas e 2 dias é altamente sugestivo de Descolamento Prematuro de Placenta (DPP). Diante de sinais de sofrimento fetal e a gravidade do quadro materno, a conduta imediata é a cesárea de emergência para salvar a vida da mãe e do feto.

Contexto Educacional

O Descolamento Prematuro de Placenta (DPP) é uma das emergências obstétricas mais graves, caracterizada pela separação da placenta da parede uterina antes do nascimento do feto. Ocorre em cerca de 0,5% a 1% das gestações e é uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal. O reconhecimento rápido e a intervenção imediata são cruciais para o prognóstico. A fisiopatologia envolve a ruptura de vasos sanguíneos na decídua basal, levando à formação de um hematoma retroplacentário que causa a separação. Os fatores de risco incluem hipertensão arterial, pré-eclâmpsia, tabagismo, uso de drogas ilícitas e trauma abdominal. Clinicamente, o DPP se manifesta pela tríade clássica de sangramento vaginal, dor abdominal e hipertonia uterina, frequentemente acompanhada de sinais de sofrimento fetal (alterações na frequência cardíaca fetal). O diagnóstico é eminentemente clínico. A ultrassonografia pode ajudar a confirmar o diagnóstico, mas sua ausência não o exclui. A conduta depende da gravidade do descolamento, da idade gestacional e do estado materno-fetal. Em casos de DPP grave com sofrimento fetal, como o descrito na questão (taquicardia fetal, hipertonia uterina), a cesárea de emergência é a conduta de escolha para evitar desfechos adversos graves para a mãe (coagulopatia, choque) e para o feto (hipóxia, morte fetal).

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para o Descolamento Prematuro de Placenta (DPP)?

Os principais fatores de risco incluem hipertensão arterial (crônica ou gestacional), pré-eclâmpsia, tabagismo, uso de cocaína, trauma abdominal, polidrâmnio com descompressão rápida, multiparidade e DPP prévio.

Como diferenciar o DPP de outras causas de sangramento no terceiro trimestre?

O DPP é caracterizado por sangramento vaginal (que pode ser oculto), dor abdominal intensa, hipertonia uterina e, frequentemente, sinais de sofrimento fetal. A placenta prévia, por outro lado, geralmente causa sangramento indolor, sem hipertonia uterina e com bom estado fetal.

Qual a conduta imediata em caso de suspeita de DPP?

A conduta imediata é a avaliação rápida da vitalidade materno-fetal, estabilização da mãe (acesso venoso, hidratação, monitorização) e, se houver sofrimento fetal ou instabilidade materna, a cesárea de emergência é indicada. A idade gestacional também influencia a decisão.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo