HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2023
Primigesta com 38 semanas de gestação procura atendimento hospitalar com queixa de dor abdominal e sangramento vaginal há 40 minutos. Ao exame, observa-se PA de 90x50 mmHg, útero hipertônico e bradicardia fetal à cardiotocografia. Toque vaginal com colo dilatado para 4 cm, apresentação cefálica em De Lee -3. Dentre as alternativas abaixo, qual a que descreve a hipótese diagnóstica e a melhor conduta?
DPP: dor abdominal + sangramento escuro + útero hipertônico + sofrimento fetal → amniotomia + cesariana de urgência.
O descolamento prematuro de placenta (DPP) é uma emergência obstétrica caracterizada por sangramento vaginal, dor abdominal, hipertonia uterina e sofrimento fetal. A conduta é a interrupção imediata da gestação, preferencialmente por cesariana, após amniotomia para reduzir a pressão intrauterina e avaliar o líquido amniótico.
O descolamento prematuro de placenta (DPP) é a separação da placenta da parede uterina antes do nascimento do feto, após a 20ª semana de gestação. É uma das principais causas de sangramento no terceiro trimestre, com incidência de 0,5% a 1% das gestações, e está associado a alta morbimortalidade materna e perinatal, sendo uma emergência obstétrica que exige reconhecimento e intervenção rápidos. A fisiopatologia envolve a ruptura de vasos deciduais, levando à formação de um hematoma retroplacentário que causa a separação. Fatores de risco incluem hipertensão arterial crônica, pré-eclâmpsia, trauma abdominal, tabagismo, uso de cocaína e polidramnio. O diagnóstico é clínico, baseado na tríade de sangramento vaginal, dor abdominal e hipertonia uterina, frequentemente acompanhada de sofrimento fetal. A ultrassonografia pode auxiliar, mas um exame normal não exclui o diagnóstico. A conduta depende da idade gestacional, do estado materno-fetal e da gravidade do descolamento. Em casos de DPP grave com comprometimento materno ou fetal, a interrupção imediata da gestação é imperativa, preferencialmente por cesariana. A amniotomia pode ser realizada antes da cesariana para diminuir a pressão intrauterina e avaliar o líquido amniótico, o que pode indicar a gravidade do descolamento.
Os sinais clássicos incluem sangramento vaginal escuro, dor abdominal súbita e intensa, hipertonia uterina e, em casos graves, sinais de sofrimento fetal e choque materno.
A conduta inicial é a estabilização hemodinâmica materna, monitoramento fetal contínuo e interrupção imediata da gestação, geralmente por cesariana de urgência, após amniotomia.
A DPP cursa com dor abdominal, útero hipertônico e sangramento escuro, enquanto a placenta prévia apresenta sangramento indolor, vermelho vivo e útero normotônico. A ultrassonografia é crucial para o diagnóstico diferencial.
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