Descolamento Prematuro de Placenta: Diagnóstico e Manejo de Urgência

UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2022

Enunciado

Primigesta, na 36a semana de gestação, com diagnóstico prévio de pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade, apresenta dor de forte intensidade em hipogástrio. Ao exame físico pressão arterial de 170×110 mmHg, frequência cardíaca materna de 104 bpm. Altura uterina de 34 cm com aumento localizado de seu tônus, frequência cardíaca fetal de 180 bpm. No toque vaginal, o colo uterino está posterior, esvaecido 50% e dilatado em 4 cm.O diagnóstico e a conduta são:

Alternativas

  1. A) Trabalho de parto prematuro; inibir o trabalho de parto com nifedipina VO.
  2. B) Descolamento prematuro de placenta; romper bolsa e resolução da gravidez.
  3. C) Descolamento prematuro de placenta; prescrever hidralazina EV e solicitar u
  4. D) Trabalho de parto prematuro; prescrever sulfato de magnésio EV e inibir o trabalho de parto com nifedipina VO.
  5. E) Placenta prévia; realizar cesariana imediatamente.

Pérola Clínica

Dor abdominal súbita + hipertonia uterina + sofrimento fetal (taquicardia/bradicardia) + pré-eclâmpsia = DPP → resolução imediata.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor abdominal súbita e intensa, hipertonia uterina localizada ou difusa, sangramento vaginal (nem sempre presente ou visível) e sinais de sofrimento fetal (taquicardia ou bradicardia) em uma gestante com pré-eclâmpsia (fator de risco) é altamente sugestivo de Descolamento Prematuro de Placenta (DPP). A conduta é a resolução imediata da gravidez.

Contexto Educacional

O Descolamento Prematuro de Placenta (DPP) é uma emergência obstétrica grave caracterizada pela separação da placenta da parede uterina antes do nascimento do feto, após a 20ª semana de gestação. É uma das principais causas de hemorragia do terceiro trimestre e está associado a alta morbimortalidade materna e perinatal. A incidência varia, mas é uma condição que exige reconhecimento e intervenção rápidos para otimizar os desfechos. Fatores de risco incluem pré-eclâmpsia, hipertensão crônica, trauma abdominal, tabagismo e uso de cocaína. O diagnóstico de DPP é essencialmente clínico. O quadro clássico envolve dor abdominal súbita e intensa, sangramento vaginal (que pode ser escuro e em pequena quantidade, ou mesmo ausente se o sangramento for retroplacentário e oculto), hipertonia uterina (útero 'em tábua'), e sinais de sofrimento fetal, como alterações na frequência cardíaca fetal (taquicardia, bradicardia ou desacelerações). A ultrassonografia pode auxiliar, mas um exame normal não exclui o diagnóstico, que é primariamente clínico. A presença de pré-eclâmpsia no caso clínico aumenta a suspeita, pois é um fator de risco importante. A conduta no DPP é a resolução imediata da gravidez, pois a condição é progressiva e pode levar rapidamente à hipóxia fetal grave e coagulopatia materna. A via de parto (vaginal ou cesariana) depende da condição materna e fetal, da idade gestacional e da dilatação cervical. Em geral, se houver sofrimento fetal ou instabilidade materna, a cesariana é a via preferencial. A amniotomia (rompimento da bolsa) pode ser realizada em casos de DPP com feto vivo e condições favoráveis para parto vaginal, para reduzir a pressão intrauterina e acelerar o parto.

Perguntas Frequentes

Quais os principais sinais e sintomas do Descolamento Prematuro de Placenta (DPP)?

Os principais sinais incluem dor abdominal súbita e intensa, hipertonia uterina (útero 'em tábua'), sangramento vaginal (que pode ser escuro e em pequena quantidade, ou mesmo ausente se o sangramento for retroplacentário e oculto), e sinais de sofrimento fetal, como taquicardia ou bradicardia fetal.

Qual a conduta imediata em caso de suspeita de DPP?

A conduta imediata é a resolução da gravidez, geralmente por cesariana, especialmente se houver sofrimento fetal ou instabilidade materna. A amniotomia pode ser considerada em casos selecionados para acelerar o parto vaginal.

Quais os fatores de risco para Descolamento Prematuro de Placenta?

Fatores de risco incluem hipertensão arterial crônica, pré-eclâmpsia, trauma abdominal, tabagismo, uso de cocaína, multiparidade, idade materna avançada e história prévia de DPP.

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