UFRN/EMCM - Escola Multicampi de Ciências Médicas (RN) — Prova 2021
Gestante no curso de 37 semanas, Gesta 3 Para 2 (2 partos vaginais), em uso de metildopa devido a pré-eclâmpsia diagnosticada com 28 semanas de gestação. Trazida ao pronto-socorro obstétrico, após ter apresentado episódio de desmaio no domicílio. Queixa-se de sangramento vaginal leve, acompanhado de dor intensa em baixo-ventre, que iniciou subitamente. Ao exame: hipocorada (++/4+), hipotensa (TA 90 x 50 mmHg), FC 120 bpm. Abdome: útero hipertônico e doloroso à palpação. Ausculta fetal não detectada ao sonar Doppler, mesmo após extensa avaliação. O diagnóstico provável é:
Gestante 37s, pré-eclâmpsia, sangramento vaginal + dor súbita intensa + útero hipertônico + ausência BCF → Descolamento Prematuro de Placenta (DPP).
O quadro de sangramento vaginal, dor abdominal súbita e intensa, útero hipertônico e doloroso à palpação, associado à hipotensão materna e ausência de batimentos cardíacos fetais em uma gestante com pré-eclâmpsia, é altamente sugestivo de Descolamento Prematuro de Placenta (DPP), uma emergência obstétrica grave.
O descolamento prematuro de placenta (DPP) é uma das emergências obstétricas mais graves, caracterizada pela separação da placenta da parede uterina antes do parto, após a 20ª semana de gestação. É uma condição que ameaça a vida materna e fetal, exigindo reconhecimento rápido e intervenção imediata. Fatores de risco incluem hipertensão arterial (como a pré-eclâmpsia presente na questão), trauma abdominal e uso de substâncias. O quadro clínico clássico envolve sangramento vaginal (que pode ser externo ou oculto), dor abdominal súbita e intensa, útero hipertônico e doloroso à palpação (útero de Couvelaire), e sinais de sofrimento fetal ou óbito fetal. A hipotensão materna e taquicardia indicam choque hipovolêmico. A ausência de batimentos cardíacos fetais, como descrito, é um sinal de gravidade extrema e óbito fetal. O diagnóstico é clínico e a conduta é a interrupção imediata da gestação, geralmente por cesariana, para salvar a vida materna e, se possível, fetal. O manejo inclui estabilização hemodinâmica da mãe, monitoramento fetal contínuo e preparação para transfusão sanguínea. A diferenciação de outras causas de sangramento no terceiro trimestre, como placenta prévia ou rotura uterina, é crucial para o manejo adequado.
Os sinais incluem sangramento vaginal (que pode ser oculto), dor abdominal súbita e intensa, útero hipertônico e doloroso à palpação, sofrimento fetal ou óbito fetal, e sinais de choque materno.
Fatores de risco incluem hipertensão arterial (pré-eclâmpsia ou crônica), trauma abdominal, tabagismo, uso de cocaína, polidramnio, gestação múltipla e história prévia de DPP.
O DPP se diferencia da placenta prévia pela dor abdominal intensa, útero hipertônico e sofrimento fetal, enquanto a placenta prévia geralmente é indolor e o útero é normotônico. A rotura uterina também causa dor intensa, mas com perda da contratilidade uterina e frequentemente palpabilidade de partes fetais.
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