SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2020
Paciente de 38 anos, na quarta gestação, com um parto anterior e dois abortos. Idade gestacional 35 semanas. Comparece a emergência com quadro de cólicas em baixo ventre de início há 4 horas, associado a sangramento transvaginal discreto de coloração vermelho "escuro". Refere tabagismo, etilismo e uso de cocaína. Ao exame, apresenta agitação, sudorese fria, palidez de pele e mucosas (+3\ +4), pressão arterial de 90 x 40 mmhg, frequência Cardíaca de 124 bpm, altura de fundo uterino de 33 cm, batimentos cardiofetais de 110 bpm e atividade uterina irregular. Considerando a anamnese e exame físico, qual o diagnóstico e conduta corretas a serem determinadas pelo plantonista?
DPP → Sangramento escuro, dor abdominal intensa, hipertonia uterina, sofrimento fetal, choque materno. Conduta: estabilizar e resolver.
O descolamento prematuro de placenta é uma emergência obstétrica caracterizada por sangramento retroplacentário, dor abdominal e hipertonia uterina, frequentemente associado a sofrimento fetal e choque materno. A presença de fatores de risco como uso de cocaína e sinais de instabilidade hemodinâmica materna com bradicardia fetal exige intervenção imediata para salvar mãe e feto.
O descolamento prematuro de placenta (DPP) é uma das emergências obstétricas mais graves, caracterizada pela separação da placenta da parede uterina antes do nascimento do feto. Sua incidência varia de 0,5% a 1,5% das gestações, sendo uma das principais causas de mortalidade materna e perinatal. A rápida identificação e manejo são cruciais para o prognóstico. A fisiopatologia envolve a ruptura de vasos sanguíneos na decídua basal, levando à formação de um hematoma retroplacentário que causa a separação. Os sinais e sintomas incluem sangramento vaginal (geralmente escuro), dor abdominal súbita e intensa, hipertonia uterina e sinais de sofrimento fetal (bradicardia, desacelerações). Fatores de risco como hipertensão, tabagismo e uso de cocaína devem levantar alta suspeita. O tratamento é emergencial e focado na estabilização materna e resolução da gestação. Isso inclui acesso venoso calibroso, reposição volêmica, tipagem sanguínea e reserva de hemoderivados, além de monitorização fetal contínua. A via de parto mais comum é a cesariana, especialmente na presença de sofrimento fetal ou instabilidade materna, visando evitar complicações como coagulopatia de consumo e choque.
Os principais fatores de risco incluem hipertensão arterial crônica ou induzida pela gestação, trauma abdominal, tabagismo, uso de cocaína, multiparidade, idade materna avançada e histórico prévio de DPP.
A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica materna (acessos venosos, fluidos, tipagem e reserva de sangue), monitorização fetal intensiva e, na maioria dos casos, resolução imediata da gestação, geralmente por via abdominal, devido ao risco de sofrimento fetal e coagulopatia.
O DPP caracteriza-se por sangramento escuro, dor abdominal súbita e intensa, hipertonia uterina e sofrimento fetal. A placenta prévia, por outro lado, apresenta sangramento vermelho vivo, indolor e sem hipertonia uterina, geralmente sem comprometimento fetal inicial.
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