Descolamento Prematuro de Placenta: Manejo de Emergência

HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2023

Enunciado

Gestante de 30 anos, com idade gestacional de 34 semanas e 2 dias, procura atendimento por sangramento vaginal moderado com 2 h de evolução associado a cólicas abdominais. Ao exame observa-se PA de 170x 100 mmHg, frequência cardíaca materna de 108 bpm, frequência cardíaca fetal de 100 bpm, hipertonia uterina, dilatação cervical de 2 cm, feto com apresentação alta e bolsa amniótica íntegra. Qual a melhor conduta ante o caso exposto?

Alternativas

  1. A) Cesariana de emergência.
  2. B) Iniciar condução do parto com ocitocina.
  3. C) Iniciar nifedipina via oral para inibição do trabalho de parto.
  4. D) Amniotomia para acelerar o parto vaginal.
  5. E) Conduta expectante.

Pérola Clínica

DPP + sofrimento fetal agudo (bradicardia) + hipertensão = Cesariana de emergência.

Resumo-Chave

O quadro clínico (sangramento, dor abdominal, hipertonia uterina, hipertensão e, crucialmente, bradicardia fetal) é altamente sugestivo de descolamento prematuro de placenta (DPP) com sofrimento fetal agudo. A bradicardia fetal indica uma emergência que exige interrupção imediata da gestação.

Contexto Educacional

O descolamento prematuro de placenta (DPP) é uma emergência obstétrica grave caracterizada pela separação da placenta da parede uterina antes do nascimento do feto, após a 20ª semana de gestação. É uma das principais causas de sangramento no terceiro trimestre e está associado a alta morbimortalidade materna e perinatal. Fatores de risco incluem hipertensão arterial crônica, pré-eclâmpsia, trauma abdominal, tabagismo e uso de cocaína. O diagnóstico é clínico, baseado na tríade de sangramento vaginal (geralmente escuro), dor abdominal súbita e intensa, e hipertonia uterina ("útero em tábua"). A cardiotocografia é fundamental para avaliar o bem-estar fetal, e a presença de bradicardia fetal ou padrões não tranquilizadores indica sofrimento fetal agudo. A ultrassonografia pode auxiliar, mas um exame normal não exclui o diagnóstico. A conduta depende da idade gestacional, da gravidade do descolamento e do estado materno-fetal. Em casos de DPP grave com sofrimento fetal agudo, como o descrito na questão (bradicardia fetal, hipertonia uterina, sangramento e hipertensão materna), a cesariana de emergência é a melhor conduta para salvar a vida do feto. A estabilização hemodinâmica materna e o manejo da coagulopatia (se presente) são cruciais.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos do descolamento prematuro de placenta?

Os sinais clássicos incluem sangramento vaginal escuro, dor abdominal súbita e intensa, hipertonia uterina (útero "em tábua") e, em casos graves, sofrimento fetal ou óbito fetal.

Por que a bradicardia fetal é um sinal de alerta grave no DPP?

A bradicardia fetal indica hipóxia grave e sofrimento fetal agudo devido à interrupção do fluxo sanguíneo e troca gasosa entre mãe e feto, exigindo intervenção imediata para evitar sequelas neurológicas ou óbito.

Qual a conduta inicial em caso de suspeita de DPP com sofrimento fetal?

A conduta inicial é a estabilização materna, avaliação rápida do bem-estar fetal e, se houver sofrimento fetal agudo, a interrupção imediata da gestação, geralmente por cesariana de emergência.

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