Descolamento Prematuro de Placenta: Causas de Óbito Materno e Fetal

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Gestante, fim do oitavo mês, chega chocada ao Setor de Emergência. Exame físico: pulso fino; FC = 140bpm; mucosas descoradas; pelo método não invasivo, não se conseguiu aferir a PAS. Segundo familiares, estava com sangramento genital há cerca de 10 dias, inicialmente leve, mas de intensidade crescente. Acamada desde o dia anterior, desmaiou ao se levantar pela manhã. Foi diagnosticada anemia aguda por hemorragia em decorrência de descolamento prematuro de placenta. Faleceu em seguida à cesariana, quando o feto foi retirado já morto, pesando 2.800 gramas. Pode-se afirmar que as causas básicas do óbito materno e do óbito fetal foram:

Alternativas

  1. A) hemorragia genital materna para o óbito materno e a anóxia intrauterina para o óbito fetal
  2. B) hemorragia genital materna para o óbito materno e o fetal
  3. C) descolamento prematuro de placenta para o óbito materno e o fetal 
  4. D) descolamento prematuro de placenta para o óbito materno e a anóxia intrauterina para o óbito fetal

Pérola Clínica

DPP grave → hemorragia materna e anóxia fetal = óbito materno e fetal.

Resumo-Chave

O descolamento prematuro de placenta (DPP) é uma emergência obstétrica grave. A causa básica do óbito materno é o choque hipovolêmico decorrente da hemorragia, enquanto a causa básica do óbito fetal é a interrupção da troca gasosa e nutricional, levando à anóxia e hipóxia. O DPP é o evento primário que desencadeia ambos os eventos.

Contexto Educacional

O descolamento prematuro de placenta (DPP) é uma das emergências obstétricas mais graves, caracterizada pela separação da placenta da parede uterina antes do nascimento do feto, após a 20ª semana de gestação. Sua incidência varia, mas é uma causa significativa de morbimortalidade materna e perinatal. A compreensão de sua fisiopatologia e manejo é vital para profissionais de saúde. A fisiopatologia do DPP envolve a ruptura de vasos sanguíneos na decídua basal, levando à formação de um hematoma retroplacentário. Este hematoma progressivamente separa a placenta, comprometendo a área de troca materno-fetal. Clinicamente, manifesta-se por sangramento vaginal (que pode ser oculto), dor abdominal intensa, hipertonia uterina e sofrimento fetal. O diagnóstico é principalmente clínico, com ultrassonografia auxiliando na exclusão de placenta prévia, mas nem sempre detectando o descolamento. As consequências do DPP são graves. Para a mãe, a hemorragia pode levar a choque hipovolêmico, coagulopatia de consumo (CIVD) e insuficiência renal aguda, culminando em óbito materno. Para o feto, a interrupção do fluxo sanguíneo placentário resulta em hipóxia, anóxia e, consequentemente, óbito fetal. O tratamento é a interrupção imediata da gestação, geralmente por cesariana, após estabilização materna.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para descolamento prematuro de placenta?

Fatores de risco incluem hipertensão arterial crônica, pré-eclâmpsia, trauma abdominal, tabagismo, uso de cocaína, multiparidade e história prévia de DPP.

Quais são os sinais e sintomas clássicos do descolamento prematuro de placenta?

Os sintomas incluem sangramento vaginal escuro, dor abdominal súbita e intensa, útero hipertonia e hipersensibilidade, e sofrimento fetal.

Como o descolamento prematuro de placenta causa óbito fetal?

O descolamento da placenta compromete a troca de oxigênio e nutrientes entre mãe e feto, levando à hipóxia e anóxia fetal, que, se prolongadas, resultam em óbito.

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