FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2025
Uma gestante de 32 semanas, G2PN1, foi levada ao pronto-socorro após sofrer uma queda em um ônibus que freou abruptamente. Ela foi admitida com pressão arterial de 140/100 mmHg; frequência cardíaca 118 bmp; abdômen gravídico com tônus uterino aumentado; batimentos cardíacos fetais (BCF) de 100 bpm; colo uterino fechado e sangramento vaginal moderado. Com relação ao quadro clínico descrito acima, assinale a alternativa CORRETA em relação ao manejo dessa condição para essa gestante.
DPP grave com sofrimento fetal: estabilização materna (acessos, fluidos, exames) + cesárea de emergência.
O descolamento prematuro de placenta (DPP) é uma emergência obstétrica que exige reconhecimento rápido e manejo imediato. Diante de um quadro de sangramento vaginal, dor abdominal, tônus uterino aumentado e sinais de sofrimento fetal, a prioridade é a estabilização hemodinâmica materna e o parto de emergência, geralmente por cesárea.
O Descolamento Prematuro de Placenta (DPP) é uma das emergências obstétricas mais graves, caracterizada pela separação da placenta da parede uterina antes do nascimento do feto, após a 20ª semana de gestação. Sua incidência varia de 0,5% a 1,5% das gestações e está associada a alta morbimortalidade materna e perinatal. Fatores de risco incluem hipertensão arterial, trauma abdominal, tabagismo, uso de cocaína e DPP prévio. O quadro clínico clássico envolve sangramento vaginal, dor abdominal súbita e intensa, hipertonia uterina (útero 'em tábua') e sinais de sofrimento fetal, como bradicardia ou desacelerações tardias. A presença de taquicardia materna e hipotensão pode indicar choque hipovolêmico. O diagnóstico é clínico, embora a ultrassonografia possa auxiliar na identificação do hematoma retroplacentário, mas um exame normal não exclui o DPP. O manejo é uma corrida contra o tempo. A prioridade é a estabilização hemodinâmica da mãe, com reposição volêmica agressiva e monitorização rigorosa. Simultaneamente, a vitalidade fetal deve ser avaliada. Diante de um DPP grave com sofrimento fetal, a via de parto de escolha é a cesárea de emergência, visando a rápida extração fetal e o controle da hemorragia materna. A amniotomia pode ser considerada em casos selecionados para diminuir a pressão intrauterina, mas não substitui a cesárea em situações de emergência. A corticoterapia para maturação pulmonar fetal e a inibição do trabalho de parto são contraindicadas em DPP grave.
Os sinais incluem sangramento vaginal, dor abdominal súbita e intensa, hipertonia uterina (útero 'em tábua'), e sinais de sofrimento fetal ou óbito fetal. Pode haver também sinais de choque hipovolêmico materno.
A conduta inicial é a estabilização hemodinâmica materna com dois acessos venosos calibrosos e infusão de cristaloides, monitorização fetal contínua, exames laboratoriais (tipagem, hemograma, coagulograma) e preparo para cesárea de emergência.
A cesárea é preferencial devido à necessidade de resolução rápida da gestação em face do sofrimento fetal agudo e do risco materno de hemorragia e coagulopatia. O parto vaginal pode ser considerado em casos muito específicos e leves, mas não na situação descrita.
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