Descolamento Prematuro de Placenta: Manejo de Emergência

HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2024

Enunciado

Gestante de 30 anos, com idade gestacional de 34 semanas, procura atendimento por sangramento vaginal moderado com 2 h de evolução associado a cólicas abdominais. Ao exame observa-se PA de 170x 100 mmHg, frequência cardíaca materna de 110 bpm, frequência cardíaca fetal de 100 bpm, hipertonia uterina, dilatação cervical de 2 cm, feto com apresentação alta e bolsa amniótica integra. Qual a melhor conduta ante o caso exposto?

Alternativas

  1. A) Amniotomia seguida de cesariana de emergência.
  2. B) Iniciar condução do parto com ocitocina.
  3. C) Iniciar nifedipina via oral para inibição do trabalho de parto.
  4. D) Amniotomia para acelerar o parto vaginal.
  5. E) Conduta expectante.

Pérola Clínica

DPP com sofrimento fetal agudo (bradicardia fetal) e hipertonia uterina → Cesariana de emergência após amniotomia.

Resumo-Chave

O descolamento prematuro de placenta (DPP) é uma emergência obstétrica grave, caracterizada por sangramento vaginal, dor abdominal e hipertonia uterina. A presença de bradicardia fetal indica sofrimento fetal agudo, exigindo interrupção imediata da gestação. A amniotomia pode ser realizada para diminuir a pressão intrauterina e acelerar o parto, mas a cesariana de emergência é a via preferencial quando há comprometimento fetal.

Contexto Educacional

O descolamento prematuro de placenta (DPP) é a separação da placenta da parede uterina antes do nascimento do feto, após 20 semanas de gestação. É uma emergência obstétrica grave, com alta morbimortalidade materna e fetal. Fatores de risco incluem hipertensão arterial (como a pré-eclâmpsia neste caso), trauma abdominal, tabagismo, uso de cocaína e DPP prévio. A fisiopatologia envolve a ruptura de vasos deciduais, levando à formação de um hematoma retroplacentário que causa a separação. Clinicamente, o DPP se manifesta por sangramento vaginal (que pode ser oculto), dor abdominal súbita e intensa, hipertonia uterina (útero 'em tábua', doloroso à palpação) e sinais de sofrimento fetal, como alterações na frequência cardíaca fetal (bradicardia, desacelerações tardias). A pré-eclâmpsia grave (PA de 170x100 mmHg) é um fator de risco importante e agrava o quadro. A conduta no DPP depende da gravidade do descolamento, da idade gestacional e das condições maternas e fetais. Na presença de sofrimento fetal agudo (bradicardia fetal de 100 bpm) e hipertonia uterina, a interrupção imediata da gestação é imperativa. A amniotomia pode ser realizada para reduzir a pressão intrauterina e, teoricamente, diminuir a passagem de tromboplastina para a circulação materna, mas a via de parto preferencial é a cesariana de emergência para garantir a rápida extração fetal e minimizar riscos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas do descolamento prematuro de placenta?

Os sinais incluem sangramento vaginal, dor abdominal súbita e intensa, hipertonia uterina (útero 'em tábua'), e sinais de sofrimento fetal como bradicardia ou alterações na cardiotocografia, frequentemente associados a fatores de risco como hipertensão.

Por que a cesariana de emergência é a melhor conduta em DPP com sofrimento fetal?

A cesariana de emergência é a via mais rápida para resolver o sofrimento fetal agudo e evitar complicações graves para o feto e a mãe, como hipóxia fetal e coagulopatia materna, garantindo a segurança de ambos.

Qual o papel da amniotomia no manejo do DPP?

A amniotomia pode ser realizada para diminuir a pressão intrauterina, reduzir a infiltração de tromboplastina no sangue materno e, em alguns casos, acelerar o parto vaginal, mas não substitui a cesariana em caso de sofrimento fetal agudo.

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