IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2025
Mulher, 35 semanas de gestação, apresenta dor abdominal e sangramento vaginal intenso, com coágulos. Ao exame, a PA é de 150 x 100 mmHg, o útero hipertônico, com BCF a 100 bpm e toque vaginal com 3 cm de dilatação. A hipótese diagnóstica correta e a conduta indicada são:
DPP: sangramento, dor abdominal, útero hipertônico, sofrimento fetal → estabilização e cesariana de emergência.
O quadro clínico de sangramento vaginal intenso com coágulos, dor abdominal, útero hipertônico, hipertensão e bradicardia fetal (BCF 100 bpm) é altamente sugestivo de Descolamento Prematuro de Placenta (DPP). Esta é uma emergência obstétrica que exige interrupção imediata da gestação, geralmente por cesariana, após estabilização materna.
O Descolamento Prematuro de Placenta (DPP) é uma das emergências obstétricas mais graves, caracterizada pela separação da placenta da parede uterina antes do nascimento do feto, após a 20ª semana de gestação. É uma causa importante de morbimortalidade materna e perinatal, com incidência variando de 0,5% a 1% das gestações. A fisiopatologia envolve a ruptura de vasos sanguíneos na decídua basal, levando à formação de um hematoma retroplacentário que causa a separação. Fatores de risco incluem hipertensão arterial crônica, pré-eclâmpsia, tabagismo, uso de cocaína, trauma abdominal e polidrâmnio. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na tríade clássica de sangramento vaginal, dor abdominal e hipertonia uterina, frequentemente acompanhada de sofrimento fetal. A conduta no DPP é a interrupção imediata da gestação, geralmente por cesariana, especialmente na presença de sofrimento fetal ou instabilidade hemodinâmica materna. A estabilização materna é prioritária, com reposição volêmica e monitorização rigorosa. O prognóstico fetal depende da extensão do descolamento e da rapidez da intervenção, enquanto o materno está relacionado à prevenção de choque hipovolêmico e coagulopatia de consumo.
Os sinais clássicos incluem sangramento vaginal escuro, dor abdominal súbita e intensa, útero hipertônico e doloroso à palpação, e sinais de sofrimento fetal (alterações da frequência cardíaca fetal) ou óbito fetal. Pode haver também sinais de choque hipovolêmico materno.
O útero hipertônico e doloroso é um achado chave no DPP, pois reflete a contração uterina contínua e a irritação miometrial causada pelo hematoma retroplacentário. Essa hipertonia pode comprometer ainda mais o fluxo sanguíneo uteroplacentário.
A conduta imediata é a estabilização hemodinâmica materna (acesso venoso, hidratação, monitorização) e a interrupção urgente da gestação, preferencialmente por cesariana, devido ao risco de hipóxia fetal e complicações maternas graves como coagulopatia e choque.
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