Descolamento Prematuro de Placenta: Diagnóstico e Manejo

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2024

Enunciado

D.T.M., 33 anos, GIII PI (1N) AI, IG 36 semanas, HAC, em uso de Metildopa 1g/dia, deu entrada no PSO com queixa de dor abdominal de início súbito, além de sangramento vaginal vermelho escuro em moderada quantidade. Ao exame físico: PA 160 x 100 mmHg, FC 80 bpm. Ao toque vaginal: colo uterino impérvio, grosso e posterior. Tônus uterino aumentado. Dinâmica uterina ausente. BCF 110 bpm. De acordo com o caso exposto, assinale o diagnóstico correto.

Alternativas

  1. A) Placenta prévia.
  2. B) Rotura de vasa prévia.
  3. C) Rotura de seio venoso.
  4. D) Descolamento prematuro de placenta.

Pérola Clínica

DPP → dor súbita, sangramento escuro, hipertonia uterina, sofrimento fetal (BCF ↓), comum em HAS.

Resumo-Chave

O descolamento prematuro de placenta (DPP) é uma emergência obstétrica caracterizada pela separação da placenta antes do nascimento do feto. A tríade clássica inclui sangramento vaginal, dor abdominal e hipertonia uterina, frequentemente associada a sofrimento fetal e hipertensão.

Contexto Educacional

O Descolamento Prematuro de Placenta (DPP) é uma das mais graves emergências obstétricas, com incidência de 0,5% a 1,5% das gestações, sendo uma das principais causas de mortalidade materna e perinatal. A hipertensão arterial crônica, como no caso, é um dos principais fatores de risco, juntamente com pré-eclâmpsia, tabagismo, uso de cocaína, trauma abdominal e multiparidade. É crucial o reconhecimento precoce para um desfecho favorável. A fisiopatologia envolve a ruptura de vasos deciduais, levando à formação de um hematoma retroplacentário que causa a separação da placenta da parede uterina. O diagnóstico é clínico, baseado na tríade de dor abdominal súbita, sangramento vaginal (que pode ser oculto) e hipertonia uterina, associado a alterações da vitalidade fetal. A ultrassonografia pode auxiliar, mas um exame normal não exclui o diagnóstico. A suspeita deve ser alta em gestantes com fatores de risco e sintomas agudos. O tratamento do DPP é a interrupção da gestação, geralmente por cesariana de emergência, devido ao risco de sofrimento fetal agudo e coagulopatia materna (CIVD). A estabilização hemodinâmica da mãe e a monitorização fetal são prioritárias. O prognóstico depende da extensão do descolamento, da idade gestacional e da rapidez da intervenção, sendo fundamental a equipe multidisciplinar para otimizar os resultados.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas do descolamento prematuro de placenta (DPP)?

O DPP manifesta-se classicamente por dor abdominal súbita e intensa, sangramento vaginal vermelho escuro, hipertonia uterina e, frequentemente, sinais de sofrimento fetal como bradicardia.

Qual a conduta inicial em caso de suspeita de descolamento prematuro de placenta?

A conduta inicial é estabilização hemodinâmica materna, monitorização fetal contínua, avaliação da vitalidade fetal e, na maioria dos casos, interrupção imediata da gestação, geralmente por cesariana.

Como diferenciar descolamento prematuro de placenta de placenta prévia?

A DPP cursa com dor, sangramento escuro e útero hipertônico, enquanto a placenta prévia tipicamente apresenta sangramento vermelho vivo indolor e útero relaxado, sem sofrimento fetal agudo.

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