FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2020
Primigesta, hipertensa crônica em uso de 1 g de metildopa/dia, com 33 semanas e 4 dias de gestação, dá entrada no pronto-socorro com queixa de sangramento vaginal iniciado há 30 minutos. Ao exame: corada, hidratada, pulso de 90 bpm, PA 140 x 90 mmHg, tônus uterino aumentado, BCF 105 bpm. Especular com presença de moderada quantidade de sangramento ativo escuro, toque vaginal evidenciando colo uterino 70% esvaecido, 5 cm, bolsa íntegra, cefálico em –1 de De Lee. A conduta mais recomendada nesse caso é:
DPP com sofrimento fetal agudo (BCF ↓) → resolução imediata da gestação, geralmente por cesariana.
O quadro clínico da paciente, com sangramento vaginal escuro, hipertonia uterina e bradicardia fetal, é altamente sugestivo de Descolamento Prematuro de Placenta (DPP) com sofrimento fetal agudo. Nesses casos, a prioridade é a resolução imediata da gestação para salvar a vida fetal, sendo a cesariana a via de parto mais rápida e segura.
O Descolamento Prematuro de Placenta (DPP) é uma das emergências obstétricas mais graves, caracterizada pela separação da placenta da parede uterina antes do nascimento do feto. Sua incidência varia, mas é uma causa significativa de morbimortalidade materna e perinatal. Fatores de risco incluem hipertensão arterial (crônica ou gestacional), trauma abdominal, tabagismo, uso de cocaína e DPP prévio. O reconhecimento rápido e a intervenção adequada são cruciais para o prognóstico. A fisiopatologia do DPP envolve a ruptura de vasos deciduais, levando à formação de um hematoma retroplacentário que causa a separação da placenta. Os sintomas clássicos são sangramento vaginal (geralmente escuro, mas pode ser oculto), dor abdominal súbita e intensa, e hipertonia uterina. O diagnóstico é clínico, embora a ultrassonografia possa auxiliar, mas não exclui o diagnóstico. A presença de bradicardia fetal ou outros sinais de sofrimento fetal indica a gravidade do quadro e a necessidade de intervenção imediata. A conduta no DPP depende da idade gestacional, da gravidade do sangramento, do estado materno e, principalmente, da vitalidade fetal. Em casos de DPP com sofrimento fetal agudo, como evidenciado por bradicardia fetal, a resolução imediata da gestação é imperativa. A cesariana de urgência é a via de parto mais recomendada para garantir a rápida extração fetal e minimizar os riscos. A amniotomia pode ser considerada para reduzir a pressão intrauterina, mas não deve atrasar a cesariana em situações de emergência.
Os sinais clássicos incluem sangramento vaginal escuro, dor abdominal súbita e intensa, hipertonia uterina (útero "em tábua"), e sinais de sofrimento fetal ou óbito fetal. A hipertensão é um fator de risco importante.
A bradicardia fetal (BCF < 110 bpm) indica hipóxia fetal severa e prolongada, sendo um sinal de sofrimento fetal agudo. Nesses casos, a interrupção imediata da gestação é crucial para evitar danos neurológicos permanentes ou óbito fetal.
A via de parto preferencial é a cesariana de urgência. Embora o parto vaginal possa ser considerado em casos de feto morto ou DPP leve sem sofrimento fetal, a cesariana garante a resolução mais rápida e segura quando há comprometimento da vitalidade fetal.
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