Descolamento Prematuro de Placenta (DPP): Conduta e Diagnóstico

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, G3P2, com idade gestacional = 36 semanas, deu entrada no pronto-socorro com queixa de sangramento abundante e dor abdominal intensa. Ao exame: pressão arterial = 160 x 100 mmHg, frequência cardíaca = 100 batimentos/minuto, altura uterina = 35 cm, batimentos cardíacos fetais (BCF) = 140 batimentos/minuto. Dinâmica Uterina: útero de consistência lenhosa, difícil avaliação de contratilidade uterina. Exame especular: sangramento em grande quantidade, com coágulos. Toque Vaginal: dilatação do colo uterino = 4cm, 80% esvaecido, anterior, amnioscopia com líquido sanguinolento. Qual deve ser a conduta para o caso?

Alternativas

  1. A) Realização seriada de vitalidade fetal e observação clínica.
  2. B) Internação e resolução da gestação por via alta.
  3. C) Internação e condução de trabalho de parto.
  4. D) Controle de pressão arterial e alta hospitalar com orientações.

Pérola Clínica

Dor abdominal + Sangramento escuro + Hipertonia uterina = DPP → Parto imediato (via mais rápida).

Resumo-Chave

O DPP é uma emergência onde a hipertonia (útero lenhoso) é patognomônica. A via de parto depende da viabilidade fetal e estabilidade materna, priorizando a via mais rápida.

Contexto Educacional

O Descolamento Prematuro de Placenta (DPP) é definido como a separação da placenta da parede uterina antes do nascimento, ocorrendo após 20 semanas de gestação. É uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal. A fisiopatologia envolve a ruptura de vasos maternos na decídua basal, levando à formação de um hematoma que disseca a interface placenta-útero. Fatores de risco incluem síndromes hipertensivas, tabagismo, uso de cocaína e trauma abdominal. O manejo exige estabilização hemodinâmica rápida e avaliação da vitalidade fetal.

Perguntas Frequentes

Qual a tríade clássica do Descolamento Prematuro de Placenta?

A tríade clássica do DPP consiste em dor abdominal súbita, sangramento vaginal (geralmente escuro, embora possa ser oculto em 20% dos casos) e hipertonia uterina (útero lenhoso). A associação com hipertensão arterial é o fator de risco mais comum e importante, presente em cerca de 50% dos casos graves. O diagnóstico é eminentemente clínico, e a ultrassonografia tem baixa sensibilidade para detectar o descolamento agudo, não devendo atrasar a conduta terapêutica.

Como decidir a via de parto no DPP?

A escolha da via de parto no DPP baseia-se na viabilidade fetal e nas condições maternas. Se o feto estiver vivo, a cesariana é geralmente a via de escolha por ser a mais rápida, a menos que o parto vaginal seja iminente. Se o feto estiver morto, prioriza-se o parto vaginal para evitar coagulopatias e complicações cirúrgicas, desde que a mãe esteja estável. No caso clínico apresentado, a instabilidade e a gravidade do quadro com feto vivo indicam a via alta imediata.

O que é o útero de Couvelaire?

O útero de Couvelaire, ou apoplexia uteroplacentária, ocorre quando o sangue do hematoma retroplacentário se infiltra no miométrio, atingindo a serosa. Isso causa atonia uterina pós-parto devido à dificuldade de contração das fibras musculares infiltradas por sangue. O tratamento envolve massagem uterina, ocitócicos e, em casos refratários, suturas compressivas (B-Lynch) ou histerectomia. É uma complicação grave do DPP que exige vigilância rigorosa no puerpério imediato.

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