UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2024
Mulher, 32a, G2P1(C1) A0, idade gestacional de 38 semanas e 4 dias, procura a Maternidade por sangramento vaginal em pequena quantidade, acompanhado de cólica de forte intensidade, que iniciaram hoje. Queixa de ausência de movimentos do bebê há um dia. Antecedentes: hipertensa crônica, sem uso de medicação, tabagista de três cigarros por dia, descolamento prematuro de placenta em gestação anterior. Exame físico: PA=122/78mmHg; FC=92bpm; FR=18irpm; abdome gravídico, altura uterina=32cm, útero hipertônico, BCF não auscultado. Especular: visualizado sangramento ativo em moderada quantidade, vindo de orifício cervical. Toque vaginal: colo dilatado 6cm, 80% esvaecido, bolsa íntegra tensa. Foi realizada amniotomia, com saída de líquido sanguinolento com coágulos; solicitados exames laboratoriais e reserva de sangue. Ultrassonografia à beira leito confirmou óbito fetal e presença de hematoma retrocoriônico de pequeno volume. A CONDUTA OBSTÉTRICA É:
DPP com óbito fetal e colo dilatado → priorizar parto vaginal, monitorar coagulopatia.
O quadro clínico (sangramento, dor, útero hipertônico, óbito fetal) é clássico de DPP. A história de DPP prévio, hipertensão e tabagismo são fatores de risco importantes. Com dilatação avançada e óbito fetal, a via vaginal é a preferencial, com atenção à possível coagulopatia.
O Descolamento Prematuro de Placenta (DPP) é uma emergência obstétrica grave, caracterizada pela separação da placenta da parede uterina antes do nascimento do feto. Sua incidência varia, mas é uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal. A condição é mais comum em multíparas e está associada a fatores como hipertensão, tabagismo e DPP anterior. A fisiopatologia envolve a ruptura de vasos deciduais, levando à formação de um hematoma retroplacentário que progressivamente separa a placenta. O diagnóstico é clínico, baseado na tríade de sangramento vaginal, dor abdominal e hipertonia uterina, com ou sem alterações da vitalidade fetal. A ultrassonografia pode auxiliar na confirmação, mas um exame negativo não exclui o diagnóstico. A conduta depende da idade gestacional, vitalidade fetal e condições maternas. Em casos de óbito fetal, como o descrito, e com colo favorável, o parto vaginal é a via de escolha, pois minimiza os riscos cirúrgicos para a mãe. É crucial monitorar a paciente para sinais de coagulopatia de consumo, uma complicação grave do DPP, e ter reserva de sangue disponível.
Os sinais clássicos incluem sangramento vaginal escuro, dor abdominal súbita e intensa, útero hipertônico e hipertonia uterina, além de alterações na vitalidade fetal ou óbito.
A conduta inicial é a interrupção da gestação. Se o colo estiver favorável e não houver contraindicações maternas, o parto vaginal é a via preferencial, monitorando ativamente a coagulopatia.
Fatores de risco incluem hipertensão arterial crônica ou gestacional, tabagismo, uso de cocaína, trauma abdominal, polidramnio, gestação múltipla e história prévia de DPP.
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