Descolamento Prematuro de Placenta: Diagnóstico e Conduta

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2021

Enunciado

TBS, 35 anos, procurou atendimento na maternidade devido a dor, de tipo cólica, de forte intensidade, intermitente que teve início há 3 horas. Nega sangramento vaginal ou perda de líquido. Gesta 5 Para 2 (partos normais) Aborto 2. Está 35 semanas e 1 dia de idade gestacional. Estã em tratamento para sífilis e recebeu a segunda dose da medicação esta semana. Ao exame físico: PA = 100 x 70 mmHg; FC = 91 bpm; temperatura axilar = 36ºC. Exame obstétrico: Altura uterina = 33 cm; BCF = 144 bpm; atividade uterina = 4 contrações de 30 segundos em 10 minutos e tônus normal. Toque vaginal: colo em início de apagamento, posterior, dilatado para 2 cm, em apresentação cefálica, no plano -3 DeLee. Bolsa íntegra. Devido a dor de forte intensidade, incompatível com a fase clínica do trabalho de parto, optou-se pelo monitoramento eletrônico da do binômio materno-fetal via cardiotocografia: Diante deste traçado o plantonista optou por:

Alternativas

  1. A) Realizar a tocólise com nifedipino e administrar corticoide para maturidade pulmonar.
  2. B) Indicou a parto operatório cesariana imediato.
  3. C) Administrar antibiótico para profilaxia da estreptococcia neonatal e acompanhar o trabalho de parto.
  4. D) Realizar analgesia peridural, hidratação venosa e reavaliação de 1/1 hora.
  5. E) Colocar a parturiente em ducúbito lateral esquerdo e infundir macrodose de ocitocina venosa.

Pérola Clínica

Dor abdominal intensa, hipertonia uterina e alterações na cardiotocografia (taquissistolia, bradicardia fetal) em gestante com sífilis tratada → suspeitar DPP → cesariana imediata.

Resumo-Chave

A dor cólica intensa, atividade uterina aumentada e alterações fetais (como bradicardia ou taquissistolia) em uma gestante com fatores de risco (como sífilis) são altamente sugestivas de Descolamento Prematuro de Placenta, uma emergência obstétrica que exige interrupção imediata da gestação.

Contexto Educacional

O Descolamento Prematuro de Placenta (DPP) é uma emergência obstétrica grave caracterizada pela separação da placenta da parede uterina antes do nascimento do feto, após a 20ª semana de gestação. É uma das principais causas de hemorragia do terceiro trimestre e está associada a alta morbimortalidade materna e perinatal. A incidência varia, mas é uma condição que exige reconhecimento e intervenção imediatos. A fisiopatologia do DPP frequentemente envolve a ruptura de vasos sanguíneos deciduais, levando à formação de um hematoma retroplacentário que causa a separação. Fatores de risco incluem hipertensão arterial, pré-eclâmpsia, trauma abdominal, tabagismo, uso de cocaína, ruptura prematura de membranas e infecções como a sífilis, que podem comprometer a integridade vascular placentária. Clinicamente, manifesta-se por dor abdominal súbita e intensa, hipertonia uterina ("útero em tábua"), sangramento vaginal (que pode ser oculto) e sinais de sofrimento fetal na cardiotocografia, como taquissistolia, bradicardia ou desacelerações tardias. O diagnóstico é clínico e a conduta é a interrupção imediata da gestação, geralmente por cesariana, especialmente se houver comprometimento fetal ou materno. A estabilização hemodinâmica da mãe é prioritária, com reposição volêmica e monitoramento rigoroso. O prognóstico depende da extensão do descolamento, da idade gestacional e da rapidez da intervenção. Residentes devem estar aptos a reconhecer rapidamente os sinais de DPP e agir com celeridade para otimizar os desfechos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas do Descolamento Prematuro de Placenta (DPP)?

Os principais sinais e sintomas do DPP incluem dor abdominal súbita e intensa, de tipo cólica ou contínua, hipertonia uterina (útero "em tábua"), sangramento vaginal (que pode ser ausente em casos de sangramento oculto) e alterações na frequência cardíaca fetal, como bradicardia ou taquissistolia.

Qual a conduta imediata diante da suspeita de DPP?

Diante da suspeita de DPP, a conduta imediata é a estabilização materna, monitoramento fetal contínuo e, na maioria dos casos, a interrupção imediata da gestação por cesariana. O objetivo é salvar a vida da mãe e do feto, prevenindo complicações graves como coagulopatia materna e sofrimento fetal irreversível.

Quais fatores de risco estão associados ao DPP?

Fatores de risco para DPP incluem hipertensão arterial crônica ou gestacional, pré-eclâmpsia, trauma abdominal, tabagismo, uso de cocaína, ruptura prematura de membranas, polidrâmnio, gestação múltipla e, como no caso, infecções como sífilis, que podem causar vasculite placentária.

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