PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2026
Nas situações de traumas na gravidez, assinale a alternativa CORRETA:
Trauma abdominal na gestante → Desaceleração causa cisalhamento e Descolamento Prematuro de Placenta (DPP).
No trauma gestacional, a placenta não elástica sofre forças de cisalhamento contra o útero elástico, levando ao descolamento, mesmo sem trauma direto grave.
O atendimento à gestante traumatizada segue os princípios do ATLS, com a ressalva de que a melhor forma de salvar o feto é estabilizar a mãe. As alterações fisiológicas da gravidez (como o aumento do volume sanguíneo e a anemia fisiológica) podem mascarar sinais de choque até que a perda volêmica seja crítica. O DPP é a complicação obstétrica mais comum após trauma abdominal. A alternativa C descreve corretamente a fisiopatologia do cisalhamento. É importante lembrar que a drenagem torácica na gestante deve ser feita 1 ou 2 espaços intercostais acima do habitual (geralmente no 3º ou 4º espaço) devido à elevação do diafragma, invalidando a alternativa B.
O mecanismo principal é a força de cisalhamento. O útero é um órgão muscular elástico que se deforma e estira durante uma desaceleração brusca ou impacto. Em contraste, a placenta é um órgão inelástico e friável. Durante o trauma, o útero muda de forma rapidamente, mas a placenta não acompanha esse movimento, resultando em uma clivagem na interface decíduo-placentária. Isso leva ao descolamento e hemorragia no leito de inserção. Esse fenômeno pode ocorrer mesmo em traumas aparentemente menores se houver desaceleração significativa, sendo a principal causa de morte fetal em traumas onde a mãe sobrevive.
A partir da segunda metade da gestação, o útero gravídico é grande o suficiente para comprimir a veia cava inferior quando a paciente está em posição supina (decúbito dorsal). Essa compressão reduz drasticamente o retorno venoso ao coração, diminuindo o débito cardíaco em até 30% e causando hipotensão materna (síndrome da hipotensão supina) e redução da perfusão placentária. No trauma, onde a paciente pode já estar hipovolêmica, essa compressão agrava o choque. A manobra de inclinação lateral esquerda do útero (ou decúbito lateral esquerdo) é vital para restaurar a hemodinâmica, mesmo se houver suspeita de lesão medular (usando a prancha inclinada).
Não. O diagnóstico do Descolamento Prematuro de Placenta (DPP) traumático é eminentemente clínico, baseado em dor abdominal, hipertonia uterina, sangramento vaginal (que pode estar ausente se for oculto) e sofrimento fetal (alterações na cardiotocografia). O ultrassom obstétrico tem uma sensibilidade muito baixa (frequentemente citada entre 25% e 50%) para detectar hematomas retroplacentários agudos, pois o sangue fresco pode ter a mesma ecogenicidade que a placenta. Portanto, um USG normal nunca exclui DPP no trauma; a monitorização fetal contínua por 4 a 6 horas é o padrão para triagem de complicações.
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