Descolamento Prematuro de Placenta: Diagnóstico e Manejo

HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2024

Enunciado

Primigesta com 38 semanas de gestação procura atendimento hospitalar com queixa de dor abdominal e sangramento vaginal intenso há 40 minutos. Ao exame, observa-se PA de 80x60 mmHg e taquicardia materna de 120 bpm, útero hipertônico e bradicardia fetal à cardiotocografia. Toque vaginal com colo dilatado para 2 cm, apresentação cefálica em De Lee -3. Dentre as alternativas abaixo, qual a que melhor descreve a hipótese diagnóstica e a conduta?

Alternativas

  1. A) Placenta prévia; amniotomia e indução do parto.
  2. B) Placenta prévia; amniotomia e cesariana.
  3. C) Acretismo de placenta; cesariana.
  4. D) Descolamento prematuro de placenta; conduta expectante.
  5. E) Descolamento prematuro de placenta; amniotomia e cesariana.

Pérola Clínica

Gestante com sangramento vaginal + dor abdominal + útero hipertônico + bradicardia fetal → DPP = Amniotomia + Cesariana imediata.

Resumo-Chave

A tríade clássica de DPP (sangramento vaginal, dor abdominal e hipertonia uterina) associada a sofrimento fetal (bradicardia) exige interrupção imediata da gestação. A amniotomia pode reduzir a pressão intrauterina e acelerar o parto, mas a cesariana é a via mais rápida e segura em caso de sofrimento fetal.

Contexto Educacional

O descolamento prematuro de placenta (DPP) é uma das emergências obstétricas mais graves, caracterizada pela separação da placenta da parede uterina antes do nascimento do feto. Sua incidência varia, mas é uma causa importante de morbimortalidade materna e perinatal. Fatores de risco incluem hipertensão arterial, trauma abdominal, tabagismo e uso de cocaína. A fisiopatologia envolve a ruptura de vasos deciduais, levando à formação de um hematoma retroplacentário que causa a separação. Clinicamente, manifesta-se por sangramento vaginal (nem sempre presente, se o hematoma for contido), dor abdominal intensa, hipertonia uterina e, frequentemente, sofrimento fetal devido à insuficiência placentária. O diagnóstico é clínico, e a ultrassonografia pode auxiliar, mas não exclui o DPP. A conduta no DPP é a interrupção imediata da gestação, preferencialmente por cesariana, especialmente na presença de sofrimento fetal ou instabilidade hemodinâmica materna. A amniotomia pode ser realizada para reduzir a pressão intrauterina e, em alguns casos, acelerar o parto vaginal se as condições forem favoráveis e o feto estiver vivo e a termo, mas a cesariana é a via mais rápida e segura na maioria dos casos graves.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas do descolamento prematuro de placenta?

Os principais sinais incluem sangramento vaginal (nem sempre presente), dor abdominal súbita e intensa, hipertonia uterina (útero 'em tábua'), e sinais de sofrimento fetal como bradicardia ou desacelerações na cardiotocografia.

Qual a conduta imediata em caso de descolamento prematuro de placenta com sofrimento fetal?

A conduta imediata é a interrupção da gestação pela via mais rápida, que geralmente é a cesariana de emergência. A amniotomia pode ser considerada para reduzir a pressão intrauterina e acelerar o parto, mas a cesariana é preferível em sofrimento fetal.

Como diferenciar descolamento prematuro de placenta de placenta prévia?

O DPP cursa com dor abdominal, útero hipertônico e sangramento escuro, frequentemente associado a sofrimento fetal. A placenta prévia, por outro lado, geralmente apresenta sangramento vaginal indolor, vermelho vivo, sem hipertonia uterina e sem sofrimento fetal, a menos que haja descolamento associado.

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