IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2024
Paciente G5, P3, A1 (PV 2 e PC 1) atualmente com 33 semanas e 4 dias de gestação, moradora de rua, foi trazida pelo Samu devido a dor abdominal intensa iniciada há cerca de 20 minutos, após uso cocaína. Não realizou consultas de pré-natal. Ao exame, colo fechado, grosso, posterior, não visualizadas perdas vaginais. Paciente apresenta 6 metrossístes de 50” em 10’ e hipertonia uterina, BCF: 115 bpm, apresentando desacelerações tardias. Qual diagnóstico e conduta?
Gestante com dor abdominal intensa + hipertonia uterina + sofrimento fetal (BCF ↓, desacelerações tardias) + uso de cocaína → DPP = Cesariana imediata.
O uso de cocaína é um fator de risco importante para DPP. A dor abdominal intensa, hipertonia uterina e sinais de sofrimento fetal (bradicardia e desacelerações tardias) são altamente sugestivos de DPP grave, exigindo interrupção imediata da gestação pela via mais rápida, que é a cesariana.
O descolamento prematuro de placenta (DPP) é uma complicação obstétrica grave, e o uso de cocaína é um fator de risco bem estabelecido, pois causa vasoconstrição e hipertensão, que podem levar à separação placentária. A ausência de pré-natal e a condição de moradora de rua aumentam a vulnerabilidade da paciente. A fisiopatologia do DPP induzido por cocaína envolve isquemia e necrose da decídua basal, levando à hemorragia e separação. Clinicamente, a dor abdominal intensa, a hipertonia uterina (útero 'em tábua') e os sinais de sofrimento fetal (bradicardia, desacelerações tardias na cardiotocografia) são marcadores de gravidade. A ausência de sangramento vaginal não exclui o diagnóstico, pois o hematoma pode ser contido. Diante de um quadro clínico tão claro de DPP com sofrimento fetal agudo, a conduta é a interrupção imediata da gestação pela via mais rápida, que é a cesariana de emergência. Não há tempo para conduta expectante ou para aguardar exames complementares como a ultrassonografia para confirmação, pois o atraso pode resultar em óbito fetal e complicações maternas graves, como coagulopatia e choque.
O uso de cocaína é um fator de risco significativo para DPP, pois causa vasoconstrição sistêmica e uterina, levando à isquemia e necrose da decídua basal, o que pode precipitar a separação da placenta da parede uterina.
Os sinais de sofrimento fetal agudo incluem bradicardia fetal persistente (BCF < 110 bpm), desacelerações tardias na cardiotocografia, variabilidade reduzida e, em casos graves, ausência de movimentos fetais percebidos pela mãe.
A interrupção imediata é crucial para salvar a vida do feto e da mãe. O DPP grave pode levar rapidamente à hipóxia fetal, óbito fetal, choque hipovolêmico materno e coagulopatia (CIVD) devido à liberação de tromboplastina placentária.
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