Descolamento Prematuro de Placenta: Diagnóstico e Manejo

UFG/HC - Hospital das Clínicas da UFG - Goiânia (GO) — Prova 2020

Enunciado

Paciente com hipertensão arterial crônica e gestação de 39 semanas de idade gestacional estimada pela data da última menstruação e confirmada por ultrassonografia de segundo trimestre, que descreve feto único e placenta de inserção fúndica. Comparece ao pronto-socorro obstétrico, queixando-se de sangramento vaginal e dor intensa em baixo-ventre, de início súbito. Ao exame, apresenta frequência cardíaca de 110 batimentos por minuto e pressão arterial 10x50mmHg. Útero se encontra com tônus aumentado e os batimentos cardíacos fetais estão em 80 batimentos por minuto. Nesse caso, o diagnóstico mais provável é:

Alternativas

  1. A) descolamento prematuro de placenta.
  2. B) placenta prévia.
  3. C) abortamento.
  4. D) trabalho de parto sem intercorrências.

Pérola Clínica

Sangramento vaginal + dor abdominal súbita + útero hipertonia + sofrimento fetal + hipotensão materna → Descolamento Prematuro de Placenta (DPP).

Resumo-Chave

O quadro clínico de sangramento vaginal súbito, dor abdominal intensa, útero hipertonia (útero 'em tábua'), sofrimento fetal agudo (BCF 80 bpm) e sinais de choque materno (taquicardia, hipotensão) em uma gestante com hipertensão crônica é altamente sugestivo de Descolamento Prematuro de Placenta (DPP).

Contexto Educacional

O descolamento prematuro de placenta (DPP) é uma emergência obstétrica grave, caracterizada pela separação da placenta da parede uterina antes do nascimento do feto. É uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal, sendo um tema de alta relevância em provas de residência e na prática clínica. Os fatores de risco incluem hipertensão arterial crônica, pré-eclâmpsia, trauma abdominal, tabagismo e uso de drogas. O quadro clínico clássico envolve sangramento vaginal (que pode ser oculto), dor abdominal súbita e intensa, hipertonia uterina ('útero em tábua') e sinais de sofrimento fetal agudo (alterações da frequência cardíaca fetal, como bradicardia). A mãe pode apresentar sinais de choque hipovolêmico. O diagnóstico é eminentemente clínico. A ultrassonografia pode auxiliar, mas não exclui o diagnóstico. A conduta é a interrupção imediata da gestação, geralmente por cesariana de emergência, após estabilização hemodinâmica materna. O manejo rápido e eficaz é crucial para otimizar os desfechos maternos e fetais, dada a gravidade da condição.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco para descolamento prematuro de placenta (DPP)?

Fatores de risco incluem hipertensão arterial (crônica ou pré-eclâmpsia), trauma abdominal, tabagismo, uso de cocaína, multiparidade, idade materna avançada e histórico prévio de DPP. A hipertensão é um dos mais importantes.

Como diferenciar descolamento prematuro de placenta de placenta prévia?

O DPP cursa com sangramento doloroso, útero hipertonia ('em tábua') e sofrimento fetal, enquanto a placenta prévia geralmente apresenta sangramento indolor, útero relaxado e bom estado fetal. A ultrassonografia pode auxiliar no diagnóstico diferencial.

Qual a conduta inicial em caso de suspeita de DPP?

A conduta inicial é estabilizar a mãe (acesso venoso, fluidos, monitorização hemodinâmica), avaliar o bem-estar fetal (cardiotocografia) e, na maioria dos casos, proceder à interrupção da gestação por cesariana de emergência devido ao risco materno e fetal.

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