Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2026
O SAMU traz para o hospital uma paciente encontrada na rua com sangramento vaginal e pouco contactante. Ao exame físico a PA era de 90x70 mmHg, frequência cardíaca de 116 bpm, descorada, AU de 34 cm, palpação com feto em situação longitudinal, apresentação cefálica e FCF não audível ao sonar. Dinâmica ausente e tônus uterino aumentado. Ao toque, o colo estava grosso e dilatado para 1,5 cm, com membrana íntegra, apresentação cefálica e sangramento escuro. Diante o caso apresentado, assinale a alternativa correta:
Hipertonia uterina + Sangramento escuro + Sofrimento/Óbito fetal = DPP.
O DPP com feto morto e instabilidade materna exige estabilização hemodinâmica, amniotomia imediata e parto (geralmente cesárea) para controle da coagulopatia.
O descolamento prematuro de placenta (DPP) é a separação abrupta da placenta normalmente inserida antes do nascimento. É uma emergência obstétrica grave associada a alta morbimortalidade materna e perinatal. A fisiopatologia envolve a ruptura de vasos deciduais, levando à formação de hematoma retroplacentário. O manejo prioritário foca na estabilização hemodinâmica materna (reposição volêmica e hemotransfusão se necessário) e na resolução rápida da gestação. A amniotomia deve ser realizada precocemente em todos os casos de DPP com colo favorável ou feto morto, visando reduzir a pressão intramiótica e o risco de complicações como a síndrome de Sheehan e a insuficiência renal aguda.
A tríade clássica do descolamento prematuro de placenta (DPP) consiste em dor abdominal súbita, sangramento vaginal (geralmente escuro) e hipertonia uterina (útero lenhoso). Em cerca de 20% dos casos, o sangramento pode ser oculto, manifestando-se apenas pela dor e alteração do tônus. O diagnóstico é eminentemente clínico, e a presença de sofrimento fetal ou óbito é comum em casos graves.
A amniotomia é uma conduta fundamental no DPP por diversos motivos: reduz a pressão intrauterina, o que pode diminuir a infiltração hemorrágica no miométrio (útero de Couvelaire); diminui a passagem de tromboplastina para a circulação materna, reduzindo o risco de coagulação intravascular disseminada (CIVD); e acelera o trabalho de parto ao aumentar a dinâmica uterina.
No DPP com feto morto, a via vaginal é preferível se o parto for iminente e a mãe estiver estável. No entanto, se houver instabilidade hemodinâmica materna grave, falha na progressão do parto ou coagulopatia instalada que não permite aguardar, a cesárea torna-se a via de escolha para interrupção rápida e controle do foco hemorrágico.
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