Descolamento Prematuro de Placenta: Diagnóstico e Conduta

IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2026

Enunciado

Paciente com 35 semanas de gestação apresenta dor abdominal e sangramento vaginal intenso, com coágulos. Ao exame, a pressão arterial se encontra em 150x100 mmHg, sendo o útero hipertônico, com BCF de 100 bpm e toque vaginal com 3 cm de dilatação. A hipótese diagnóstica correta e conduta indicada são:

Alternativas

  1. A) Descolamento prematuro de placenta; solicitar a realização de ultrassonografia obstétrica de emergência.
  2. B) Descolamento prematuro de placenta; estabilização clínica e realização de cesariana.
  3. C) Placenta prévia; solicitar a realização de ultrassonografia obstétrica de emergência.
  4. D) Placenta prévia; estabilização clínica e realização de cesariana.

Pérola Clínica

Dor abdominal + Hipertonia uterina + Sangramento escuro + Sofrimento fetal = DPP.

Resumo-Chave

O DPP é uma emergência onde o diagnóstico é clínico; a prioridade é a estabilização materna e o parto imediato (geralmente cesariana) se houver sofrimento fetal.

Contexto Educacional

O Descolamento Prematuro de Placenta (DPP) é a separação da placenta da parede uterina antes do nascimento, ocorrendo após 20 semanas de gestação. É uma das principais causas de morbimortalidade perinatal e materna. A fisiopatologia envolve a ruptura de vasos maternos na decídua basal, levando à formação de hematoma que disseca a interface placenta-útero. Fatores de risco incluem hipertensão (presente em até 50% dos casos graves), tabagismo, uso de cocaína e trauma abdominal. A complicação mais temida é o Útero de Couvelaire (apoplexia uteroplacentária), onde o sangue infiltra o miométrio, podendo levar à atonia uterina pós-parto severa.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar clinicamente DPP de Placenta Prévia?

O DPP caracteriza-se por dor abdominal súbita, útero hipertônico (lenhoso) e sangramento vaginal geralmente escuro com coágulos, frequentemente associado a sofrimento fetal e hipertensão materna. Já a Placenta Prévia apresenta sangramento indolor, de cor vermelho vivo, início insidioso, sem hipertonia uterina e com vitalidade fetal inicialmente preservada. O toque vaginal é contraindicado na suspeita de placenta prévia até que a localização placentária seja confirmada por imagem para evitar hemorragia maciça.

Por que a ultrassonografia não é mandatória no diagnóstico de DPP?

O diagnóstico de DPP é eminentemente clínico. A ultrassonografia possui baixa sensibilidade (cerca de 25-50%) para detectar o descolamento agudo, pois o coágulo retroplacentário pode ser isoecoico em relação à placenta. Em quadros graves com instabilidade hemodinâmica ou sofrimento fetal (como BCF 100 bpm), a perda de tempo tentando realizar exames de imagem pode ser fatal. A conduta deve ser baseada nos achados físicos e na monitorização fetal imediata.

Qual a via de parto preferencial no DPP?

A via de parto depende da viabilidade fetal e das condições maternas. Se o feto estiver vivo e houver sofrimento fetal agudo (como bradicardia persistente), a cesariana de emergência é a via de escolha após estabilização hemodinâmica mínima. Se o feto estiver morto e a mãe estável, o parto vaginal pode ser tentado se for iminente. Em todos os casos, a prioridade é o esvaziamento uterino rápido para cessar o consumo de fatores de coagulação e prevenir a coagulopatia de consumo (CIVD).

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo