Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2026
Primigesta, 40 anos de idade, encontra-se na 36ª semana da gestação e apresentou sangramento vaginal moderado há 30 minutos. Refere cólica abdominal. Exame físico: descorada +/4, PA: 130×85 mmHg, FC: 94 bpm, altura uterina: 33 cm, dinâmica uterina 1/10 contrações/minuto, tônus uterino aumentado, 100 batimentos cardíacos fetais por minuto, exame especular: saída de coágulos pela vagina. O diagnóstico mais provável, dentre os abaixo, é:
Dor abdominal + Hipertonia uterina + Sangramento escuro + Sofrimento fetal = DPP.
O DPP é uma emergência obstétrica caracterizada pela separação da placenta antes do parto, levando a hipóxia fetal e instabilidade materna devido ao hematoma retroplacentário.
O Descolamento Prematuro da Placenta (DPP) é definido como a separação da placenta inserida no corpo uterino após a 20ª semana de gestação e antes do nascimento do feto. É uma das principais causas de morbimortalidade perinatal e materna. A fisiopatologia envolve a ruptura de vasos maternos na decídua basal, formando um hematoma que separa a placenta da parede uterina, comprometendo a troca gasosa fetal. Fatores de risco incluem hipertensão arterial (principal), trauma, tabagismo e uso de cocaína. O diagnóstico é eminentemente clínico, e a ultrassonografia tem baixa sensibilidade para detectar o descolamento agudo.
O quadro clássico de Descolamento Prematuro da Placenta (DPP) inclui dor abdominal súbita e intensa, sangramento vaginal (geralmente escuro e com coágulos, embora possa ser oculto em 20% dos casos), hipertonia uterina (útero lenhoso) e sinais de sofrimento fetal, como bradicardia ou padrões não tranquilizadores na cardiotocografia. A instabilidade hemodinâmica materna pode ser desproporcional ao sangramento visível devido ao acúmulo de sangue retroplacentário.
A diferenciação é clínica. No DPP, há dor abdominal importante, o tônus uterino está aumentado (hipertonia) e há frequentemente sofrimento fetal agudo. Na Placenta Prévia, o sangramento é tipicamente indolor, de cor vermelho vivo, recorrente, e o tônus uterino permanece normal (útero relaxado), com o bem-estar fetal geralmente preservado inicialmente, a menos que haja choque materno grave.
Diante de um diagnóstico de DPP com feto vivo e viável, a conduta é a interrupção imediata da gestação pela via mais rápida, que na maioria das vezes é a cesariana de emergência. Simultaneamente, deve-se realizar a estabilização hemodinâmica da mãe com reposição volêmica e avaliação de distúrbios de coagulação (como a CIVD), que é uma complicação grave associada à liberação de tromboplastina tecidual.
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