FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2019
Feminino, 32 anos. Em 26 de junho foi admitida no PA/HMC em estado de choque. Estava no final do 8º mês de gestão e fez apenas duas consultas durante o pré-natal (no 4º e 5º mês de gestação). Essa era a 4º gestação, sendo as anteriores normais e com filhos vivos. À entrada, não se conseguiu detectar a pressão arterial, pulso fino e taquicárdico (em torno de 140 por minuto). Anemia intensa de mucosas. Segundo familiares, estava com “hemorragia genital há mais de uma semana”, de início não muito abundante, porém de intensidade crescente. Há dois dias permaneceu na cama e hoje, ao levantar-se, desmaiou, sendo trazida para o PA. Foi diagnosticada: anemia aguda por hemorragia devido a deslocamento da placenta, com feto morto. Foi realizada operação cesariana, tendo ocorrido o óbito imediatamente após a cirurgia. Diante deste caso, qual a causa imediata e a causa básica do óbito materno e fetal, respectivamente?
Choque hipovolêmico materno por DPP → causa imediata óbito materno; DPP → causa básica óbito materno e fetal.
A causa imediata do óbito é a condição que diretamente levou à morte (ex: choque), enquanto a causa básica é a doença ou lesão que iniciou a sequência de eventos fatais (ex: DPP). No feto, a anóxia intrauterina é a causa imediata comum em casos de DPP.
O Descolamento Prematuro de Placenta (DPP) é uma emergência obstétrica grave, caracterizada pela separação da placenta da parede uterina antes do parto. Sua incidência varia, mas é uma das principais causas de hemorragia no terceiro trimestre, contribuindo significativamente para a morbimortalidade materna e perinatal. O reconhecimento precoce e manejo adequado são cruciais para o prognóstico. A fisiopatologia envolve a formação de um hematoma retroplacentário que leva à separação da placenta, comprometendo a troca materno-fetal e causando sangramento. Clinicamente, manifesta-se com dor abdominal súbita, sangramento vaginal (nem sempre presente ou proporcional à gravidade), hipertonia uterina e sofrimento fetal. O diagnóstico é clínico, complementado por ultrassonografia, embora esta possa subestimar a extensão do descolamento. O tratamento é a interrupção da gestação, geralmente por cesariana, especialmente em casos de sofrimento fetal ou instabilidade materna. O manejo do choque hipovolêmico é prioritário, com reposição volêmica agressiva e transfusão sanguínea. A compreensão das causas de óbito, imediata e básica, é fundamental para o preenchimento correto da Declaração de Óbito e para a análise epidemiológica da mortalidade materna e fetal.
A causa imediata é a condição final que levou à morte, enquanto a causa básica é a doença ou lesão que iniciou a sequência de eventos que culminaram no óbito.
O DPP causa hemorragia interna e/ou externa significativa, resultando em perda volêmica maciça que, se não controlada, leva ao choque hipovolêmico e falência de órgãos.
A principal causa de óbito fetal no DPP é a anóxia intrauterina, devido à interrupção do fluxo sanguíneo e troca gasosa entre mãe e feto pela separação da placenta.
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