Descolamento Prematuro da Placenta: Diagnóstico e Conduta

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2026

Enunciado

Paciente gestante de 29 semanas e 2 dias sente dor pélvica súbita, acompanhada de sangramento vaginal abundante. É atendida pelo SAMU, que identifica FC materna de 122 bpm, PA 150×90 mmHg e sangramento vaginal ativo, com BCF de 188 bpm. É constatado ainda útero hipertônico e doloroso à palpação. A paciente é levada rapidamente à maternidade de referência pelo SAMU, onde é admitida, feitas as medidas de urgência e solicitados os exames laboratoriais, e paciente é encaminhada à cesárea rapidamente. Quanto a esse caso, é correto afirmar: I. A principal hipótese diagnóstica é de descolamento prematuro da placenta. II. A principal hipótese diagnóstica é placenta prévia. III. Há taquicardia fetal, indicando possível sofrimento fetal agudo. IV. A conduta (cesárea de urgência) é inadequada, tendo em vista as condições descritas, após estabilização clínica, a indução do trabalho de parto deveria ter sido priorizada. Estão corretas:

Alternativas

  1. A) I e IV.
  2. B) I e III.
  3. C) II e III.
  4. D) II, III e IV.
  5. E) Apenas I.

Pérola Clínica

Dor abdominal + Hipertonia uterina + Sangramento escuro → Descolamento Prematuro da Placenta (DPP).

Resumo-Chave

O DPP é uma emergência que cursa com descolamento da placenta antes do nascimento, resultando em dor, hipertonia e risco iminente de óbito fetal por hipóxia.

Contexto Educacional

O Descolamento Prematuro da Placenta (DPP) é definido como a separação da placenta da parede uterina antes do terceiro estágio do parto, ocorrendo após a 20ª semana de gestação. É uma das principais causas de hemorragia na segunda metade da gravidez e está associado a altas taxas de morbimortalidade perinatal e materna. Fatores de risco incluem hipertensão arterial (presente no caso), trauma, uso de drogas (cocaína) e tabagismo. Fisiopatologicamente, o descolamento leva à formação de um hematoma retroplacentário que pode se expandir, aumentando a pressão intrauterina e causando a hipertonia característica. A compressão dos vasos e a redução da área de troca gasosa levam rapidamente ao sofrimento fetal agudo. O manejo exige rapidez: diagnóstico clínico soberano, estabilização hemodinâmica e parto imediato, geralmente por via alta se o feto estiver vivo e viável.

Perguntas Frequentes

Qual a tríade clássica do DPP?

A tríade clássica do descolamento prematuro da placenta (DPP) consiste em dor abdominal súbita, sangramento vaginal (geralmente escuro e em quantidade variável) e hipertonia uterina (útero lenhoso). Em cerca de 20% dos casos, o sangramento pode ser oculto, ficando retido atrás da placenta, o que torna o quadro clínico de dor e hipertonia ainda mais soberano para o diagnóstico inicial.

Como diferenciar DPP de Placenta Prévia?

A principal diferença reside na dor e no tônus uterino. No DPP, a dor é intensa, o início é súbito e há hipertonia uterina. Na placenta prévia, o sangramento é indolor, de início insidioso, cor vermelho-rutilante e o tônus uterino permanece normal. Além disso, o sofrimento fetal é muito mais comum e precoce no DPP devido à interrupção da troca gasosa placentária.

Qual a conduta imediata no DPP com feto vivo?

Se o feto estiver vivo e houver sinais de sofrimento fetal (como taquicardia ou bradicardia mantida) ou instabilidade materna, a via de parto de escolha é a cesárea de urgência, visando a interrupção rápida da gestação. A estabilização hemodinâmica materna com reposição volêmica e avaliação de distúrbios de coagulação deve ocorrer simultaneamente ao preparo cirúrgico.

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