UFRN/EMCM - Escola Multicampi de Ciências Médicas (RN) — Prova 2020
Primigesta, 38 semanas de idade gestacional, realizando pré-natal regularmente, com diagnóstico de pré-eclâmpsia leve, em uso de Metildopa 250 mg, VO, 8/8h. Ultrassonografia realizada com 36 semanas demonstra feto único e placenta de inserção fúndica. Deu entrada na Maternidade com quadro de dor em baixo ventre, de forte intensidade, que iniciou subitamente há cerca de meia hora, acompanhada de sangramento vaginal leve. Ao exame: hipocorada (++/4+), PA 90 x 50 mmHg, frequência cardíaca de 120 bpm, útero doloroso à palpação e com tônus aumentado. Frequência cardíaca fetal de 90 bpm. O diagnóstico mais provável é:
Dor súbita + sangramento + útero hipertrônico/doloroso + sofrimento fetal = DPP.
O descolamento prematuro de placenta (DPP) é uma emergência obstétrica caracterizada por dor abdominal súbita, sangramento vaginal (nem sempre profuso), hipertonia uterina e sofrimento fetal, especialmente em pacientes com fatores de risco como pré-eclâmpsia. A bradicardia fetal é um sinal grave de hipóxia.
O descolamento prematuro de placenta (DPP) é a separação da placenta da parede uterina antes do nascimento do feto, após a 20ª semana de gestação. É uma das principais causas de hemorragia no terceiro trimestre, com incidência de 0,5% a 1% das gestações, e representa uma emergência obstétrica grave, associada a alta morbimortalidade materna e perinatal. Fatores de risco incluem hipertensão (como pré-eclâmpsia), trauma, tabagismo e uso de cocaína. A fisiopatologia envolve a ruptura de vasos sanguíneos na decídua basal, levando à formação de um hematoma retroplacentário que causa a separação. Clinicamente, manifesta-se por dor abdominal súbita e intensa, sangramento vaginal (que pode ser oculto), hipertonia uterina ("útero em tábua") e sofrimento fetal, evidenciado por alterações na frequência cardíaca fetal (bradicardia, desacelerações). A hipotensão materna e a taquicardia são sinais de choque hipovolêmico. O diagnóstico é clínico, e a ultrassonografia pode ajudar a confirmar, mas um exame normal não exclui o DPP. O manejo é emergencial, visando à estabilização hemodinâmica materna e à interrupção da gestação. A cesariana é a via de parto preferencial na presença de sofrimento fetal ou instabilidade materna. Complicações incluem coagulopatia de consumo (CID) e insuficiência renal aguda.
Os fatores de risco incluem hipertensão arterial crônica, pré-eclâmpsia, tabagismo, uso de cocaína, trauma abdominal, polidrâmnio com descompressão rápida e história prévia de DPP.
O DPP cursa com dor abdominal súbita e intensa, útero hipertrônico e doloroso, e frequentemente sofrimento fetal. A placenta prévia, por outro lado, causa sangramento vaginal indolor, sem hipertonia uterina e com bom estado fetal inicial.
A conduta inicial é estabilizar a mãe (acesso venoso, hidratação, monitorização), avaliar o bem-estar fetal e, se houver sofrimento fetal ou instabilidade materna, proceder à interrupção da gestação, geralmente por cesariana de emergência.
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