MedEvo Simulado — Prova 2026
Uma gestante de 34 anos, G3P2 (2 partos normais anteriores), com 33 semanas de gestação, é admitida na emergência obstétrica queixando-se de dor abdominal súbita e persistente, de forte intensidade, iniciada há cerca de 1 hora. Refere discreto sangramento vaginal de aspecto escurecido. Ao exame físico, apresenta-se empalidecida, com PA 150/100 mmHg e FC 100 bpm. O tônus uterino está aumentado (hipertonia) e a frequência cardíaca fetal é de 110 bpm. Diante do quadro clínico, foi realizada a ultrassonografia à beira do leito, apresentada na imagem a seguir. Com base nos achados clínicos e ultrassonográficos, qual o diagnóstico mais provável?
Dor abdominal súbita + Hipertonia uterina + Sangramento escurecido = DPP.
O DPP é uma emergência obstétrica definida pela separação da placenta antes do parto. O diagnóstico é clínico, caracterizado por dor, hipertonia e instabilidade hemodinâmica ou fetal.
O Descolamento Prematuro de Placenta (DPP) ocorre quando há a separação da placenta inserida no corpo uterino após a 20ª semana de gestação e antes do nascimento. A fisiopatologia envolve a ruptura de vasos maternos na decídua basal, levando à formação de um hematoma que disseca a interface placenta-decídua. Fatores de risco proeminentes incluem hipertensão arterial (presente em até 50% dos casos graves), tabagismo, uso de cocaína e trauma abdominal. O manejo depende da viabilidade fetal e do estado hemodinâmico materno, frequentemente exigindo parto imediato, preferencialmente por via mais rápida (frequentemente cesariana, a menos que o parto vaginal seja iminente).
A tríade clássica do descolamento prematuro de placenta (DPP) é composta por dor abdominal súbita de forte intensidade, hipertonia uterina (frequentemente descrita como útero lenhoso) e sangramento vaginal de aspecto escurecido. É fundamental que o médico residente compreenda que o sangramento externo pode não refletir a real perda volêmica, pois em cerca de 20% dos casos o sangue permanece retido no espaço retroplacentário (sangramento oculto). Essa retenção aumenta a pressão intrauterina, agravando a dor e a hipertonia. Além disso, a liberação de tromboplastina tecidual a partir do hematoma pode desencadear coagulopatia intravascular disseminada (CIVD), tornando o quadro uma emergência obstétrica crítica que exige monitorização rigorosa e, frequentemente, resolução rápida do parto para salvar a vida materna e fetal.
Não, a ultrassonografia não é necessária nem recomendada como método definitivo para o diagnóstico de descolamento prematuro de placenta (DPP). O diagnóstico de DPP é eminentemente clínico, baseado na anamnese e no exame físico. A ultrassonografia apresenta uma sensibilidade baixa, variando entre 25% e 50%, o que significa que um exame normal não exclui a patologia. O achado de um hematoma retroplacentário no USG é altamente específico, mas sua ausência é comum, especialmente em descolamentos agudos onde o sangue ainda não se organizou em um coágulo visível. Portanto, em pacientes com quadro clínico sugestivo e instabilidade, a prioridade deve ser a estabilização hemodinâmica e a conduta obstétrica imediata, evitando atrasos diagnósticos que podem comprometer o prognóstico fetal e materno.
As complicações maternas do DPP são graves e requerem intervenção imediata. A principal é o choque hipovolêmico, que pode ser desproporcional ao sangramento visível. Outra complicação clássica é o Útero de Couvelaire, ou apoplexia uteroplacentária, caracterizado pela infiltração de sangue no miométrio, o que compromete a contratilidade uterina e leva à atonia pós-parto severa. Além disso, a liberação de fatores pró-coagulantes da placenta descolada pode causar Coagulação Intravascular Disseminada (CIVD), manifestando-se com consumo de fibrinogênio e plaquetas. A insuficiência renal aguda também é um risco significativo devido à hipovolemia e à deposição de microtrombos. No feto, a principal complicação é a hipóxia grave, podendo levar ao óbito fetal ou sequelas neurológicas permanentes decorrentes da interrupção das trocas gasosas placentárias.
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