Descolamento Prematuro de Placenta e Útero de Couvelaire

HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2026

Enunciado

Com relação ao descolamento prematuro de placenta, é possível dizer que: I. São fatores de risco: uso de cocaína e mutação dos genes para fator V de Leiden. II. A via de parto indicada é sempre a cesariana, para evitar coagulopatia, que se instala em menos de 2 horas. III. Os casos com hemorragia oculta têm maior risco de apresentar Útero de Couvelaire. IV. A hidratação deve ser agressiva e exclusivamente com cristalóides em virtude do risco de choque hipovolêmico precoce.

Alternativas

  1. A) Apenas I e II são corretas.
  2. B) Apenas II e IV são incorretas.
  3. C) Apenas I e IV são corretas.
  4. D) Apenas a III é correta.
  5. E) I, II e III são corretas.

Pérola Clínica

DPP + Hipertonia + Sangramento escuro → Pensar em Útero de Couvelaire.

Resumo-Chave

O DPP é uma emergência obstétrica onde o descolamento ocorre antes do nascimento, associado a hipertensão, trauma e trombofilias. O Útero de Couvelaire é uma complicação grave por infiltração hemorrágica miometrial.

Contexto Educacional

O descolamento prematuro de placenta (DPP) é definido como a separação da placenta da parede uterina após 20 semanas de gestação e antes do nascimento. Clinicamente, manifesta-se com dor abdominal súbita, hipertonia uterina e sangramento vaginal escuro. Em casos de hemorragia oculta (20% dos casos), o sangue pode dissecar as fibras miometriais, levando ao Útero de Couvelaire, que compromete a contratilidade uterina e aumenta o risco de hemorragia pós-parto. O diagnóstico é eminentemente clínico, e o manejo prioriza a estabilização materna com reposição volêmica e de hemocomponentes, seguida da resolução rápida da gestação para evitar complicações como a coagulação intravascular disseminada (CIVD).

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para o DPP?

O descolamento prematuro de placenta (DPP) possui etiologia multifatorial. O principal fator de risco crônico é a hipertensão arterial (crônica ou pré-eclâmpsia). Outros fatores importantes incluem o uso de substâncias como tabaco e cocaína, que causam vasoconstrição e danos vasculares na decídua. Traumas abdominais agudos podem causar forças de cisalhamento que separam a placenta. Além disso, condições que levam à sobredistensão uterina (polidrâmnio, gestação múltipla), a ruptura prematura de membranas pré-termo e trombofilias hereditárias, como a mutação do Fator V de Leiden, aumentam significativamente a incidência desta patologia.

Como diagnosticar e manejar o Útero de Couvelaire?

O Útero de Couvelaire, ou apoplexia uteroplacentária, é um diagnóstico intraoperatório caracterizado por uma coloração purpúrea do útero devido à infiltração de sangue no miométrio. Ocorre em casos graves de DPP com hemorragia oculta. O principal risco é a atonia uterina pós-parto, pois o sangue entre as fibras musculares impede a contração eficaz. O manejo envolve manobras compressivas, massagem uterina e uso de agentes uterotônicos (ocitocina, misoprostol). Se a hemorragia persistir, podem ser necessárias suturas compressivas (B-Lynch), desarterialização uterina ou, em última instância, histerectomia para controle do choque.

Qual a conduta obstétrica diante de um DPP com feto morto?

Na presença de feto morto em um quadro de DPP, a prioridade é a estabilização hemodinâmica materna. O parto vaginal é a via de escolha, pois evita o estresse cirúrgico em uma paciente potencialmente coagulopática. A amniotomia deve ser realizada precocemente para reduzir a pressão intrauterina, diminuir a passagem de tromboplastina para a circulação materna e acelerar o trabalho de parto. A cesariana só deve ser realizada em casos de feto morto se houver contraindicação absoluta ao parto vaginal, falha na indução ou se a hemorragia materna for incontrolável, colocando a vida da gestante em risco imediato.

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