HC ICC - Hospital do Câncer - Instituto do Câncer do Ceará — Prova 2026
O fator predisponente mais consistente para um descolamento prematuro de placenta (DPP) é a(o):
Hipertensão arterial (crônica ou gestacional) = fator de risco mais consistente e comum para DPP.
A hipertensão causa vasculopatia na decídua basal, levando a processos de isquemia e ruptura de vasos maternos, resultando no hematoma retroplacentário característico do DPP.
O descolamento prematuro de placenta (DPP) é uma das principais causas de hemorragia da segunda metade da gestação e acarreta alta morbimortalidade perinatal. A compreensão dos fatores de risco é crucial para o pré-natal de alto risco. A hipertensão arterial materna está presente em cerca de 50% dos casos graves de DPP. A conduta depende da viabilidade fetal e da estabilidade hemodinâmica materna, frequentemente exigindo a interrupção imediata da gravidez, preferencialmente por via alta (cesariana) se o feto estiver vivo e houver sofrimento fetal, ou via vaginal se o feto estiver morto e a mãe estável.
A hipertensão arterial, seja ela crônica ou decorrente de síndromes hipertensivas da gestação como a pré-eclâmpsia, promove alterações degenerativas nas artérias espiraladas da decídua basal. Essas alterações vasculares aumentam a fragilidade capilar e a resistência vascular, predispondo à ruptura desses vasos sob pressão. Uma vez que ocorre o sangramento entre a decídua e a placenta, forma-se um hematoma que disseca a interface placentária, interrompendo as trocas gasosas e nutricionais, o que caracteriza o descolamento prematuro de placenta.
Sim, além da hipertensão, outros fatores incluem o uso de cocaína e tabagismo (devido à vasoconstrição intensa), trauma abdominal direto, descompressão uterina súbita (como na ruptura de membranas em polidrâmnio), idade materna avançada, multiparidade e histórico prévio de DPP em gestações anteriores. No entanto, estatisticamente, a hipertensão permanece como o fator mais consistentemente associado à patologia em grandes coortes epidemiológicas.
O diagnóstico do descolamento prematuro de placenta é eminentemente clínico. Os sinais clássicos incluem dor abdominal súbita e intensa, hipertonia uterina (útero lenhoso), sangramento vaginal (geralmente escuro, embora possa estar ausente em 20% dos casos de descolamento oculto) e sofrimento fetal agudo. A ultrassonografia tem baixa sensibilidade para detectar o hematoma retroplacentário agudo, servindo mais para excluir placenta prévia do que para confirmar o DPP.
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