Descolamento Prematuro de Placenta: Diagnóstico e Manejo

HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2023

Enunciado

Paciente, primigesta de 18 anos, com idade gestacional de 37 semanas, da entrada na maternidade com queixa que há 2 horas iniciou com queixa de pequeno sangramento vaginal vermelho vivo, associado a dor abdominal. Ao exame físico: hidratada, eupnéica, afebril, hipocorada 2+/4+ pressão arterial de 80x50 mmHg, frequência cardíaca de 120 bpm, altura uterina de 35 cm, apresentação fetal cefálica, batimento cardíaco fetal de 110bpm, tônus uterino aumentado, exame especular com saída de pequena quantidade de sangue vivo coletado em fundo de saco vaginal e ao toque vaginal, colo uterino com 2 cm. Qual sua hipótese diagnóstica e conduta? (GINECOLOGIA E OBSTETRICIA. FEBRASGO PARA O MÉDICO RESIDENTE, CAPITULO 110)

Alternativas

  1. A) Descolamento prematuro de placenta, cesariana de emergência.
  2. B) Trabalho de parto, conduta expectante.
  3. C) Placenta prévia, indução do trabalho de parto
  4. D) Placenta prévia, internamento com 72h de observação hospitalar
  5. E) Descolamento prematuro de placenta, indução do trabalho de parto.

Pérola Clínica

DPP: Sangramento + dor abdominal + útero hipertônico + sofrimento fetal → Cesariana de emergência.

Resumo-Chave

O descolamento prematuro de placenta é uma emergência obstétrica caracterizada por sangramento vaginal, dor abdominal e hipertonia uterina, frequentemente associada a sofrimento fetal e instabilidade hemodinâmica materna. A conduta é a interrupção imediata da gestação, geralmente por cesariana, devido ao risco materno-fetal.

Contexto Educacional

O descolamento prematuro de placenta (DPP) é uma complicação grave da gestação, definida pela separação da placenta da parede uterina antes do nascimento do feto, após a 20ª semana de gestação. Sua incidência varia de 0,5% a 1,5% das gestações, sendo uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal. Fatores de risco incluem hipertensão arterial, trauma abdominal, tabagismo, uso de cocaína e gestações múltiplas. A fisiopatologia envolve a ruptura de vasos sanguíneos na decídua basal, levando à formação de um hematoma retroplacentário que causa a separação. Clinicamente, manifesta-se por sangramento vaginal (nem sempre visível), dor abdominal súbita e intensa, hipertonia uterina e sinais de sofrimento fetal, como bradicardia ou taquicardia fetal. O diagnóstico é clínico, mas a ultrassonografia pode auxiliar na identificação do hematoma, embora sua ausência não exclua o diagnóstico. A conduta é uma emergência obstétrica e visa a interrupção da gestação. Em casos de sofrimento fetal ou instabilidade hemodinâmica materna, a cesariana de emergência é a via de parto preferencial. A estabilização materna com fluidos e hemoderivados é crucial. Complicações incluem choque hipovolêmico, coagulopatia de consumo (CIVD) e insuficiência renal aguda.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas do descolamento prematuro de placenta?

Os principais sinais incluem sangramento vaginal vermelho vivo, dor abdominal súbita e intensa, hipertonia uterina, e sinais de sofrimento fetal como bradicardia. Pode haver também instabilidade hemodinâmica materna.

Qual a conduta inicial em caso de suspeita de descolamento prematuro de placenta?

A conduta inicial é estabilização hemodinâmica materna, monitorização fetal contínua e interrupção imediata da gestação, preferencialmente por cesariana de emergência, devido ao risco de óbito fetal e complicações maternas.

Como diferenciar descolamento prematuro de placenta de placenta prévia?

O DPP geralmente se apresenta com dor abdominal, útero hipertônico e sangramento escuro, enquanto a placenta prévia cursa com sangramento vaginal indolor, vermelho vivo e útero relaxado.

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