CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2021
Um paciente com contagem endotelial de 2500 células/mm2 e catarata nuclear 1+ foi submetido à facoemulsificação. Foi realizada uma incisão com túnel curto, não houve ruptura de cápsula posterior e a lente foi colocada dentro do saco capsular. O paciente evoluiu com edema corneano intenso no pós-operatório que não melhorou após um mês da cirurgia. Dentre as alternativas abaixo qual a mais provável causa do edema?
Edema corneano persistente + boa contagem endotelial prévia → Suspeite de Descolamento de Descemet.
O descolamento da membrana de Descemet (DMD) pode ocorrer durante a entrada de instrumentos em incisões mal construídas (túnel curto). Se não diagnosticado e tratado, causa edema estromal persistente por falha na bomba endotelial localizada.
O edema de córnea pós-facoemulsificação é uma complicação que gera grande ansiedade. Quando a contagem endotelial pré-operatória é saudável (2500 cel/mm²) e a cirurgia foi tecnicamente tranquila (sem ruptura de cápsula), causas óbvias de perda endotelial maciça são menos prováveis. O descolamento da membrana de Descemet é uma complicação subdiagnosticada que deve ser sempre pesquisada através da biomicroscopia cuidadosa ou OCT de segmento anterior. A detecção precoce é crucial, pois a descemetopexia tem altas taxas de sucesso em restaurar a transparência corneana, evitando a necessidade de um transplante de córnea futuro.
Geralmente ocorre devido a trauma mecânico durante a inserção de instrumentos (cânulas, ponteira do faco, pinças) através de uma incisão que pode estar mal configurada, como um túnel muito curto ou uma entrada muito anteriorizada. A ponta do instrumento 'engata' na Descemet e a separa do estroma posterior.
O edema por trauma sônico (excesso de energia) costuma ser mais difuso e melhora gradualmente com corticoides se a reserva endotelial for boa. O DMD frequentemente apresenta um aspecto de 'dupla câmara' na lâmpada de fenda ou no OCT de segmento anterior, com um edema que pode ser localizado na área do descolamento e não responde ao tratamento clínico padrão.
Casos pequenos e periféricos podem ser observados. Casos maiores ou que afetam o eixo visual requerem intervenção, geralmente através da injeção de ar ou gás (SF6 ou C3F8) na câmara anterior (descemetopexia) para reposicionar a membrana contra o estroma, permitindo sua reativação funcional.
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