MedEvo Simulado — Prova 2026
Isabela, primigesta com 39 semanas de gestação, encontra-se em trabalho de parto ativo, com 6 cm de dilatação e contrações rítmicas (3 em 10 minutos). O pré-natal foi sem intercorrências. Durante a monitorização fetal por cardiotocografia, observa-se uma linha de base de 140 bpm, variabilidade moderada, porém nota-se a ocorrência de desacelerações graduais que iniciam após o pico da contração e retornam à linha de base após o término da contração, repetindo-se nos últimos três ciclos uterinos. Diante desse traçado cardiotocográfico, a conduta inicial mais adequada é:
DIP II (Desaceleração Tardia) → Insuficiência Uteroplacentária. Conduta: Reanimação Intrauterina (DLE + O2 + Hidratação).
As desacelerações tardias refletem hipóxia fetal por queda no fluxo sanguíneo placentário durante a contração. A conduta inicial foca em otimizar a perfusão materna e oxigenação fetal.
A cardiotocografia intraparto é uma ferramenta essencial para a vigilância do bem-estar fetal, permitindo a detecção precoce de padrões sugestivos de hipóxia. O DIP II, ou desaceleração tardia, é classicamente associado à insuficiência uteroplacentária crônica ou aguda. Diferente do DIP I (precoce), que é fisiológico por compressão cefálica, o DIP II exige intervenção imediata. A fisiopatologia envolve a queda da PO2 fetal abaixo do limiar crítico durante a contração, ativando quimiorreceptores que geram uma resposta vagal e depressão miocárdica direta. A abordagem inicial deve ser conservadora (reanimação intrauterina) para tentar reverter o quadro antes de proceder para uma intervenção cirúrgica, especialmente se a variabilidade da linha de base ainda estiver preservada.
A desaceleração tardia é uma queda gradual da frequência cardíaca fetal (tempo do início ao nadir ≥ 30 segundos) cujo nadir ocorre após o pico da contração uterina. Ela indica que a reserva de oxigênio fetal é insuficiente para manter a frequência cardíaca durante a redução do fluxo sanguíneo causada pela contração, sugerindo insuficiência uteroplacentária.
As medidas incluem: posicionar a gestante em decúbito lateral esquerdo (para descompressão da veia cava e melhora do retorno venoso), administração de oxigênio suplementar (máscara), hidratação venosa rápida com cristaloides e suspensão de ocitocina se estiver em uso. O objetivo é restaurar o fluxo sanguíneo uteroplacentário e a oxigenação fetal.
Se após as medidas de reanimação intrauterina o traçado cardiotocográfico persistir na Categoria III (variabilidade ausente com desacelerações tardias ou variáveis recorrentes) ou se houver sinais de acidose fetal persistente, a interrupção da gestação pela via mais rápida (frequentemente cesariana) está indicada.
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