Desacelerações Tardias na Cardiotocografia: Conduta Imediata

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2024

Enunciado

Após a administração de ocitocina venosa 6mUI/min em uma gestante com 39 semanas em trabalho de parto, foi observado à cardiotocografia desacelerações tardias. Qual a conduta deve ser adotada inicialmente:

Alternativas

  1. A) indicar cesariana.
  2. B) administrar terbutalina.
  3. C) suspender a ocitocina.
  4. D) iniciar misoprostol.

Pérola Clínica

Desacelerações tardias + ocitocina → Suspender ocitocina e reavaliar bem-estar fetal.

Resumo-Chave

Desacelerações tardias são um sinal de sofrimento fetal, frequentemente associadas à insuficiência uteroplacentária. Em casos de indução ou condução do trabalho de parto com ocitocina, a primeira medida é suspender a infusão para reduzir a hiperestimulação uterina e melhorar a perfusão placentária.

Contexto Educacional

A cardiotocografia é uma ferramenta essencial na monitorização fetal intraparto, permitindo a avaliação contínua da frequência cardíaca fetal (FCF) e da atividade uterina. Desacelerações tardias são um achado preocupante, indicando comprometimento da oxigenação fetal devido à insuficiência uteroplacentária, e sua identificação precoce é crucial para a prevenção de desfechos adversos. A ocitocina, utilizada para induzir ou conduzir o trabalho de parto, pode levar à hiperestimulação uterina, exacerbando ou causando essas desacelerações. A fisiopatologia das desacelerações tardias envolve a redução do fluxo sanguíneo para o espaço interviloso durante as contrações uterinas, resultando em hipóxia fetal. Quando a reserva placentária é limitada ou há hiperestimulação uterina, a FCF não consegue se recuperar rapidamente, manifestando-se como desacelerações tardias. O diagnóstico é feito pela análise do traçado cardiotocográfico, observando a relação temporal entre as desacelerações e as contrações uterinas. A conduta inicial diante de desacelerações tardias, especialmente em pacientes recebendo ocitocina, é a suspensão imediata da infusão para cessar a hiperestimulação uterina. Outras medidas incluem mudança de decúbito materno, administração de oxigênio e hidratação venosa. Se as desacelerações persistirem ou o quadro fetal piorar, outras intervenções como tocolíticos (ex: terbutalina) ou até mesmo a resolução do parto por via cesariana devem ser consideradas, visando sempre a otimização do bem-estar fetal.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de desaceleração tardia na cardiotocografia?

As desacelerações tardias são quedas graduais e simétricas na frequência cardíaca fetal, que se iniciam após o pico da contração uterina e retornam à linha de base após o término da contração. Elas indicam insuficiência uteroplacentária.

Qual a conduta inicial diante de desacelerações tardias durante o uso de ocitocina?

A conduta inicial é suspender imediatamente a infusão de ocitocina, virar a gestante para o decúbito lateral esquerdo, administrar oxigênio e considerar hidratação venosa. O objetivo é melhorar a perfusão uteroplacentária.

Quando considerar a terbutalina em casos de desacelerações tardias?

A terbutalina, um agente tocolítico, pode ser considerada se houver hiperestimulação uterina persistente e desacelerações tardias, mesmo após a suspensão da ocitocina, para relaxar o útero e melhorar o fluxo sanguíneo fetal.

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