Desacelerações Tardias: Manejo do Sofrimento Fetal Agudo

Unimed-Rio - Cooperativa de Trabalho Médico (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 28 anos, primigesta, cursando a 34° semana de gestação, comparece à maternidade com queixa de dor no baixo ventre. Ao exame é constatado quatro contrações em 10 minutos de 45 segundos, colo apagado 80%, dilatado para 4 cm, apresentação cefálica, 1°plano de Hodge, bolsa íntegra, batimentos cardiofetais de 148 bpm. Realizado cardiotocografia que apresentou características compatíveis com desacelerações tardias. Qual a conduta a ser adotada?

Alternativas

  1. A) Tocólise venosa e interrupção da gestação após administração de corticoide por 48 horas.
  2. B) Decúbito lateral esquerdo, oxigênio nasal e interrupção imediata da gestação.
  3. C) Decúbito lateral esquerdo, oxigênio nasal e aceleração do parto com ocitocina.
  4. D) Acelerar o parto com ocitocina e utilizar fórcipes de alívio.

Pérola Clínica

Desacelerações tardias + colo dilatado + 34 semanas → Sofrimento fetal agudo = Interrupção imediata.

Resumo-Chave

Desacelerações tardias na cardiotocografia indicam insuficiência uteroplacentária e sofrimento fetal agudo. Diante de um quadro de trabalho de parto prematuro avançado (colo 4 cm, 34 semanas) e sofrimento fetal, a conduta é estabilizar a mãe (decúbito lateral esquerdo, oxigênio) e interromper a gestação imediatamente.

Contexto Educacional

As desacelerações tardias na cardiotocografia são um sinal ominoso de sofrimento fetal agudo, refletindo uma insuficiência uteroplacentária e hipóxia fetal. Elas são caracterizadas por uma queda gradual e simétrica da frequência cardíaca fetal, que se inicia após o pico da contração uterina e retorna à linha de base após o término da contração. A presença dessas desacelerações exige uma avaliação e conduta rápidas. No cenário clínico apresentado, a paciente está em trabalho de parto prematuro (34 semanas, colo 4 cm) e a cardiotocografia revela desacelerações tardias. Isso configura um quadro de sofrimento fetal agudo que demanda intervenção imediata. As medidas iniciais visam otimizar a oxigenação fetal, como o decúbito lateral esquerdo (para descomprimir a veia cava e melhorar o retorno venoso e o fluxo uteroplacentário) e a administração de oxigênio nasal à mãe. Diante da persistência das desacelerações tardias e do quadro de sofrimento fetal agudo, a interrupção imediata da gestação é a conduta prioritária para preservar a vitalidade fetal. A tocólise e a administração de corticoide, embora importantes no manejo do trabalho de parto prematuro, são contraindicadas em situações de sofrimento fetal agudo, pois atrasariam a resolução da hipóxia. O residente deve estar apto a reconhecer e agir prontamente nessas emergências obstétricas.

Perguntas Frequentes

O que indicam as desacelerações tardias na cardiotocografia?

As desacelerações tardias são quedas da frequência cardíaca fetal que se iniciam após o pico da contração uterina e terminam após o término da contração, indicando insuficiência uteroplacentária e hipóxia fetal.

Qual a conduta inicial em caso de desacelerações tardias?

A conduta inicial inclui medidas de reanimação intrauterina: decúbito lateral esquerdo para melhorar o fluxo sanguíneo uteroplacentário, oxigênio suplementar para a mãe e hidratação venosa.

Quando a interrupção da gestação é necessária em caso de desacelerações tardias?

A interrupção imediata da gestação é indicada quando as desacelerações tardias são persistentes e associadas a outros sinais de sofrimento fetal, como a dilatação cervical avançada em um trabalho de parto prematuro.

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