FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2023
Durante a condução de um trabalho de parto em uma gestante hipertensa, ao ser realizado exame cardiotocográfico, foram observadas desacelerações intraparto (DIP) do tipo II ou tardios. Esta alteração está relacionada a:
DIP tipo II (desaceleração tardia) = insuficiência placentária → hipóxia fetal.
Desacelerações tardias (DIP tipo II) na cardiotocografia são um sinal preocupante de insuficiência placentária, onde o fluxo sanguíneo para o feto é comprometido. Isso leva à hipóxia fetal durante as contrações uterinas, pois a reserva de oxigênio é insuficiente para compensar a diminuição transitória do fluxo.
A cardiotocografia (CTG) é uma ferramenta essencial na vigilância fetal intraparto, monitorando a frequência cardíaca fetal (FCF) e as contrações uterinas. As desacelerações da FCF são classificadas em precoces, tardias e variáveis, cada uma com implicações clínicas distintas. As desacelerações tardias, ou DIP tipo II, são caracterizadas por um início e término lentos, ocorrendo após o pico da contração uterina e persistindo após o seu término, com o nadir da desaceleração ocorrendo após o pico da contração. A presença de desacelerações tardias é um sinal de insuficiência uteroplacentária, que resulta em hipóxia fetal. Durante a contração uterina, o fluxo sanguíneo para a placenta é temporariamente reduzido. Em uma placenta saudável, o feto possui reservas suficientes para tolerar essa redução. No entanto, em casos de insuficiência placentária (comum em gestantes hipertensas, diabéticas ou com restrição de crescimento fetal), a reserva é inadequada, levando à hipóxia e acidose fetal, manifestada pelas desacelerações tardias. A identificação de DIP tipo II exige intervenção imediata para otimizar a oxigenação fetal e, se necessário, considerar a interrupção do parto. A conduta inclui medidas como mudança de decúbito materno (para o lado esquerdo), oxigenoterapia, hidratação venosa e, em casos de hiperestimulação uterina, o uso de tocolíticos. A persistência ou agravamento das desacelerações tardias indica sofrimento fetal e pode levar à necessidade de parto cesariana de emergência.
Desacelerações precoces são simétricas e espelhadas às contrações, indicando compressão cefálica benigna. Tardias iniciam após o pico da contração e retornam lentamente, sugerindo insuficiência placentária. Variáveis são abruptas e irregulares, associadas à compressão do cordão umbilical.
A hipertensão materna, especialmente a crônica ou pré-eclâmpsia, pode causar alterações vasculares na placenta, levando à insuficiência uteroplacentária e, consequentemente, à diminuição do fluxo sanguíneo para o feto, predispondo a desacelerações tardias.
A conduta inicial inclui medidas de reanimação intrauterina, como mudança de decúbito materno, oxigenoterapia, hidratação venosa e, se houver hiperestimulação uterina, tocolíticos. Se as desacelerações persistirem e o feto estiver em sofrimento, a interrupção da gestação pode ser necessária.
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