HSA Guarujá - Hospital Santo Amaro de Guarujá (SP) — Prova 2021
Na cardiotocografia, são considerados sinais de sofrimento fetal os seguintes dados:
Desaceleração tardia (DIP II) = Início após o pico da contração + retorno lento → Hipóxia fetal.
As desacelerações tardias indicam insuficiência útero-placentária e hipóxia fetal, exigindo intervenção imediata para avaliar o bem-estar fetal e possível interrupção da gestação.
A monitorização fetal eletrônica intraparto visa detectar precocemente sinais de descompensação fetal. Enquanto acelerações e desacelerações precoces (DIP I) são geralmente benignas, as desacelerações tardias (DIP II) e variáveis (DIP III) complicadas sugerem comprometimento das trocas gasosas. O reconhecimento desses padrões é crucial para a prática obstétrica moderna, equilibrando a necessidade de intervenção com a prevenção de desfechos neonatais adversos.
A desaceleração tardia, ou DIP II, é caracterizada por uma queda gradual da frequência cardíaca fetal que começa após o início da contração uterina, com o seu ponto mais baixo (nadir) ocorrendo após o pico da contração. O retorno à linha de base também é lento e ocorre após o término da contração. Esse atraso temporal é o marcador patognomônico de que o fluxo sanguíneo placentário está insuficiente para manter a oxigenação durante o estresse da contração.
Durante a contração uterina, o fluxo sanguíneo para o espaço interviloso é temporariamente reduzido. Em uma placenta com reserva funcional limítrofe, essa redução leva à queda da pressão parcial de oxigênio fetal abaixo de um nível crítico. Isso estimula quimiorreceptores fetais, desencadeando uma resposta vagal que resulta em bradicardia reflexa, ou, em casos mais graves, depressão miocárdica direta pela hipóxia.
A presença de DIPs II repetitivos classifica a cardiotocografia como Categoria III (anormal). A conduta imediata inclui medidas de ressuscitação intrauterina: decúbito lateral esquerdo (para descompressão da veia cava), oxigenação materna, hidratação venosa e suspensão de ocitocina. Se o padrão não reverter rapidamente, a interrupção da gestação pela via mais rápida (geralmente cesárea) está indicada para evitar danos neurológicos ou óbito fetal.
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