Cardiotocografia: Como Identificar Desacelerações Precoces

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Luciana, 28 anos, secundigesta com um parto vaginal prévio, encontra-se em trabalho de parto ativo na maternidade. Ao exame físico, apresenta colo com 9 cm de dilatação, 100% esvaecido, apresentação cefálica em plano +1 de DeLee e bolsa rota com líquido amniótico claro. Durante a monitorização da vitalidade fetal, foi realizado o traçado cardiotocográfico apresentado na imagem abaixo. Com base na análise da imagem e nos parâmetros da cardiotocografia, assinale a alternativa que descreve corretamente o achado e a conduta recomendada.

Alternativas

  1. A) Observa-se a presença de desacelerações variáveis com componentes desfavoráveis (overshoots); a conduta deve ser a reanimação intrauterina com oxigênio e decúbito lateral esquerdo.
  2. B) A linha de base apresenta taquicardia fetal persistente acima de 160 bpm e ausência de acelerações; a conduta é a interrupção imediata da gestação por sofrimento fetal agudo.
  3. C) O traçado demonstra desacelerações tardias recorrentes e variabilidade mínima; a conduta imediata deve ser a realização de parto por via alta (cesariana).
  4. D) A linha de base está entre 110 e 160 bpm, com variabilidade moderada e presença de desacelerações precoces; a conduta é manter o acompanhamento do trabalho de parto.

Pérola Clínica

DIP I (Precoce) = Compressão cefálica → Fisiológico, sem necessidade de intervenção.

Resumo-Chave

Desacelerações precoces coincidem com a contração uterina e indicam compressão da cabeça fetal, sendo achados benignos no trabalho de parto.

Contexto Educacional

A cardiotocografia intraparto é uma ferramenta essencial para a avaliação da vitalidade fetal, permitindo a detecção precoce de desvios da normalidade. O sistema de classificação em categorias (I, II e III) padroniza a interpretação e a conduta. O traçado descrito na questão (Categoria I) reflete um feto bem oxigenado e com mecanismos autonômicos íntegros. As desacelerações precoces são frequentemente observadas na fase ativa do trabalho de parto, especialmente após a ruptura das membranas e quando a apresentação fetal está em planos mais baixos (como o +1 de DeLee citado). Compreender a fisiologia do reflexo vagal evita intervenções iatrogênicas e promove um ambiente de parto mais seguro e menos intervencionista.

Perguntas Frequentes

O que define uma desaceleração precoce (DIP I)?

A desaceleração precoce, ou DIP I, é caracterizada por uma queda gradual da frequência cardíaca fetal cujo nadir (ponto mais baixo) coincide exatamente com o pico da contração uterina (imagem em espelho). O início e o retorno à linha de base também acompanham o início e o fim da contração. Esse fenômeno é causado pelo reflexo vagal decorrente da compressão da cabeça fetal no canal de parto.

Qual a conduta diante de um traçado CTG Categoria I?

Um traçado Categoria I é considerado normal e prediz fortemente um estado ácido-básico fetal normal no momento da observação. Ele inclui: linha de base entre 110-160 bpm, variabilidade moderada, ausência de desacelerações tardias ou variáveis, e pode ou não apresentar acelerações ou desacelerações precoces. A conduta é apenas a manutenção do acompanhamento clínico do trabalho de parto, sem necessidade de intervenções extras.

Como diferenciar DIP I de DIP II na prática?

A principal diferença reside na relação temporal com a contração. No DIP I (precoce), o nadir coincide com o pico da contração. No DIP II (tardio), o nadir ocorre após o pico da contração, indicando hipóxia fetal e insuficiência uteroplacentária. O DIP II é um sinal de alerta que exige reanimação intrauterina imediata ou interrupção da gestação, dependendo do contexto clínico.

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