IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025
Homem, 59 anos de idade, encontra-se em quarto dia pós-operatório de retossigmoidectomia com anastomose colorretal, a 3cm da borda anal, e ileostomia de proteção devido a neoplasia de reto médio. Tem antecedentes de hipertensão arterial sistêmica e obesidade grau II. Ao exame físico, o paciente encontra-se em regular estado geral, sudoreico e taquicárdico. Abdome globoso, doloroso à palpação difusamente, com a alteração em ileostomia ilustrada a seguir: A principal hipótese diagnóstica e a conduta indicada para este paciente são, respectivamente:
Desabamento de estoma + irritação peritoneal → Laparotomia exploradora + novo estoma.
O desabamento de estoma no pós-operatório imediato com sinais de peritonite exige reintervenção abdominal ampla para limpeza e reposicionamento do estoma em local sadio.
As complicações de estomas intestinais são frequentes e podem ser classificadas em precoces (necrose, desabamento, retração) ou tardias (hérnia paraestomal, prolapso). O desabamento de ileostomia é uma emergência cirúrgica quando ocorre a perda da integridade entre o lúmen intestinal e o meio externo, permitindo o refluxo de efluente para o espaço peritoneal ou retroperitoneal. No contexto de um paciente em pós-operatório de retossigmoidectomia que apresenta dor abdominal difusa, taquicardia e sudorese, a suspeita de peritonite deve ser imediata. A abordagem por laparotomia é superior ao acesso local nesses casos, pois permite a inspeção de outras anastomoses (como a colorretal realizada previamente) e a limpeza adequada da cavidade, reduzindo a morbimortalidade associada à sepse abdominal.
O desabamento ocorre quando há a deiscência da sutura entre a alça intestinal e a pele, fazendo com que o estoma 'caia' para dentro da cavidade abdominal ou do tecido subcutâneo. É uma complicação grave que pode levar à peritonite estercorácea se o conteúdo intestinal extravasar para a cavidade peritoneal.
A conduta é a reintervenção cirúrgica de urgência por laparotomia mediana. O objetivo é realizar a lavagem exaustiva da cavidade abdominal, tratar a contaminação e confeccionar uma nova ileostomia, preferencialmente em um novo sítio cirúrgico, para garantir a viabilidade da alça e a segurança da fixação.
A necrose é a morte tecidual por isquemia (estoma escurecido), enquanto o desabamento é uma falha mecânica de fixação. Ambos podem coexistir, pois a isquemia da borda do estoma predispõe à deiscência da sutura mucocutânea e consequente desabamento.
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