FUBOG - Fundação Banco de Olhos de Goiás — Prova 2023
Paciente, jovem, dá entrada em hospital com dispneia, sendo residente em região de clima muito frio, relata que apresentou há 30 dias tosse seca, dispneia progressiva e temperatura de 37º C. Em exame radiográfico do tórax é constatado velamento do hemitórax direito, com desvio do mediastino contralateralmente. O procedimento CORRETO indicado é:
Velamento hemitórax + desvio mediastino + dispneia progressiva + clima frio → Derrame pleural volumoso, pensar em TBC. Toracocentese + biópsia pleural é a conduta.
Um derrame pleural volumoso, evidenciado por velamento de hemitórax e desvio de mediastino, em um paciente jovem com sintomas subagudos e histórico de residência em clima frio (sugestivo de maior prevalência de TBC), exige toracocentese diagnóstica e terapêutica, complementada por biópsia pleural para elucidação etiológica, sendo a tuberculose pleural uma forte suspeita.
O derrame pleural é o acúmulo anormal de líquido no espaço pleural, uma condição comum com diversas etiologias. Quando volumoso, como indicado pelo velamento de um hemitórax e desvio do mediastino, pode causar dispneia significativa devido à compressão pulmonar e mediastinal. Em pacientes jovens, com sintomas subagudos (tosse seca, dispneia progressiva) e histórico epidemiológico (região de clima frio, que pode ter maior prevalência de tuberculose), a tuberculose pleural deve ser fortemente considerada como etiologia. A abordagem inicial de um derrame pleural volumoso inclui a toracocentese diagnóstica e terapêutica. A toracocentese permite a análise do líquido pleural (citologia, bioquímica, microbiologia) para diferenciar entre exsudato e transudato e buscar a etiologia. No entanto, em derrames exsudativos, a análise do líquido pleural nem sempre é conclusiva, especialmente para tuberculose, onde a cultura pode ser negativa e a adenosina deaminase (ADA) elevada, mas não patognomônica. Nesses casos, a biópsia pleural com agulha de Cope torna-se essencial. Este procedimento minimamente invasivo permite a obtenção de fragmentos da pleura parietal para exame histopatológico (buscando granulomas, por exemplo) e cultura para Mycobacterium tuberculosis, aumentando significativamente a taxa de diagnóstico etiológico, especialmente para tuberculose pleural. O esvaziamento do derrame, além de terapêutico para aliviar a dispneia, pode facilitar a biópsia e a recuperação pulmonar.
Um derrame pleural volumoso é caracterizado por velamento completo ou quase completo de um hemitórax, com apagamento dos seios costofrênicos e, frequentemente, desvio do mediastino para o lado contralateral devido à pressão exercida pelo acúmulo de líquido.
A biópsia pleural com agulha de Cope é indicada para obter amostras de tecido pleural para análise histopatológica e microbiológica, sendo crucial para o diagnóstico etiológico de derrames exsudativos, especialmente na suspeita de tuberculose ou neoplasia, quando a análise do líquido pleural é inconclusiva.
O desvio de mediastino indica um derrame pleural de grande volume que está causando compressão e deslocamento das estruturas mediastinais. Isso pode levar a comprometimento respiratório significativo, como dispneia, e é um sinal de gravidade que justifica a drenagem imediata para alívio sintomático.
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