UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2020
Considere um paciente masculino, 34 anos, com quadro de febre não aferida, perda de peso, tosse seca e dispneia progressiva nos últimos 30 dias, associada a dor torácica ventilatório dependente a direita. RX tórax evidenciou derrame pleural a direita, sendo o paciente submetido a toracocentese. A análise do líquido pleural mostrou: glicose 86 mg/dL; proteínas totais de 4,5 mg/dL (proteína sérica 6 mg/dL); desidronegase láctica (LDH) de 243U/L (LDH sérico 292U/L); citologia total com 350 leucócitos/mm3, citologia específica com 86% de linfomonocitários e 14% de polimorfonucleares, e adenosina deaminase de 45U/L. Considerando os dados acima, é correto afirmar que:
Derrame pleural exsudativo linfomonocitário com ADA > 40 U/L + sintomas constitucionais → Tuberculose pleural.
A análise do líquido pleural é crucial para diferenciar exsudatos de transudatos e guiar o diagnóstico. Os critérios de Light confirmam o exsudato, e a predominância linfomonocitária com ADA elevada (>40 U/L) em um paciente com sintomas constitucionais e pulmonares arrastados é altamente sugestiva de tuberculose pleural, uma causa comum de derrame pleural no Brasil.
O derrame pleural é uma condição comum na prática clínica, e sua investigação exige uma abordagem sistemática. A diferenciação entre transudato e exsudato é o primeiro passo crucial, guiada pelos critérios de Light. Transudatos são geralmente causados por desequilíbrios de pressão hidrostática ou oncótica (ex: insuficiência cardíaca, cirrose), enquanto exsudatos resultam de inflamação da pleura ou aumento da permeabilidade capilar (ex: infecções, neoplasias, doenças autoimunes). No contexto de um exsudato, a análise citológica e bioquímica do líquido pleural fornece pistas diagnósticas essenciais. A predominância de linfomononucleares, como observado na questão, é característica de tuberculose, neoplasias ou doenças autoimunes. A dosagem da adenosina deaminase (ADA) é particularmente útil na suspeita de tuberculose pleural, sendo um teste com boa sensibilidade e especificidade em áreas de alta prevalência. Um ADA > 40 U/L, juntamente com o quadro clínico e citológico, fortalece a hipótese de tuberculose. O manejo do derrame pleural depende da etiologia. No caso de tuberculose pleural, o tratamento é com esquema quimioterápico específico para tuberculose. É fundamental que residentes dominem a interpretação desses exames para um diagnóstico e tratamento adequados, evitando atrasos e complicações para o paciente.
Os critérios de Light classificam um derrame pleural como exsudato se pelo menos um dos seguintes for verdadeiro: relação proteína pleural/sérica > 0,5; relação LDH pleural/sérico > 0,6; ou LDH pleural > 2/3 do limite superior do LDH sérico normal.
A ADA é um marcador importante para o diagnóstico de tuberculose pleural. Valores de ADA no líquido pleural acima de 40 U/L, especialmente em derrames exsudativos com predomínio linfomonocitário, são altamente sugestivos de tuberculose.
A tuberculose pleural deve ser suspeitada em pacientes com sintomas constitucionais como febre, perda de peso, tosse seca e dispneia progressiva, associados a dor torácica ventilatório-dependente e derrame pleural exsudativo linfomonocitário.
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